sexta-feira, 9 de março de 2018

Espessura do Tempo – património e paisagem


Numa iniciativa da Câmara Municipal de Castelo Branco, em três encontros e durante seis dias, 21 desenhadores e ilustradores, profissionais e amadores, percorreram todo o concelho, estiveram em todas as freguesias
A Espessura do Tempo – património e paisagem, é uma exposição de ilustração que resulta do trabalho de desenhadores profissionais e amadores, que trabalharam alguns elementos patrimoniais e paisagísticos do concelho de Castelo Branco. Procura afirmar a dinâmica da ilustração, sketching e desenho, como meio artístico de registo e comunicação da vivência do território.

Muitas histórias, muitos desenhos e a percepção da enorme riqueza paisagística, patrimonial e humana do concelho de Castelo Branco.

Estes desenhos, aqui publicados, de Aires Melo, Alexandra Belo, André Duarte Batista, Brígida Ribeiros, Carlos Matos, Cristina Serra, Fernando Micaelo, João Calais Frade, João Catarino, João Esteves, João Gama, Jorge Portugal, José Manuel Boeiro, José Preto, Margarida Ataíde, Pedro Cabral, Rui Tavares,Teresa Vidal e Vítor Mingacho, são apenas uma pequena mostra, para aguçar a curiosidade, do que se pode ver a partir de amanhã, sábado, às 17 horas no Museu Francisco Tavares Proença Júnior de Castelo Branco.

Estes desenhos, de Aires Melo, Alexandra Belo, André Duarte Batista, Brígida Ribeiros, Carlos Matos, Cristina Serra, Fernando Micaelo, João Calais Frade, João Catarino, João Esteves, João Gama, Jorge Portugal, José Manuel Boeiro, José Preto, Margarida Ataíde, Pedro Cabral, Rui Tavares,Teresa Vidal e Vítor Mingacho, são apenas uma pequena mostra, para aguçar a curiosidade do que se pode ver a partir de amanhã, sábado, às 17 horas no Museu Francisco Tavares Proença Junior de Castelo Branco.

Para além desta coletiva, vai ser também inaugurada a exposição de desenhos de Álvaro Canelas. Nasceu em Castelo Branco em 1901. Pintor, caricaturista, desenhador, Álvaro Canelas foi um cidadão do mundo e um percursor em Portugal da captação da realidade urbana através do desenho.
No fim da I Grande Guerra, radicou-se em Paris, onde desenvolveu grande actividade artística.”
(Carlos Matos)
Alguns desenhos dos meus colegas:





um dos meus contributos:


quinta-feira, 8 de março de 2018

Dublin_dia I

Ao final do dia, ainda houve coragem para um último passeio no centro histórico. Aqui, uma vista parcial do City Hall.
 
No regresso ao Hotel, fizemos o percurso junto ao Rio Liffey, que separa a zona norte a zona sul da cidade. A generosa quantidade de pontes, permite eliminar barreiras. As duas zonas fundem-se perfeitamente, apesar das diferenças, arquitectónicas e sociais.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Dublin: o primeiro contacto

Depois de deixarmos tudo no hotel, saímos à descoberta e o primeiro contacto foi com a St. Audoen's Church e o famoso muro Viking. O espaço exterior está em obras.
 
 
Quando vínhamos no carro, percebeu-se logo a cor dominante da paisagem urbana - "vermelho-fogo" dos tijolos de burro à vista.
 
 
 
Ao virar da esquina, deparamo-nos com o "coração espiritual da cidade" - a Catedral da Santíssima Trindade, ou Igreja de Cristo. A sua construção teve início no séc. XI e é uma obra-prima da arquitetura medieval.
 
 
 
Com o frio que se faz sentir, nada como um bom café. depois de ver o preço arrependi-me.
 
 
Na terra dos pubs, tínhamos de conhecer o principal - O Temple Bar.
 
Ao voltar para o hotel, ainda conhecemos a Igreja de São João e Santo Agostinho.
 
 
 
As cores foram dadas à noite no hotel. Desenhar foi difícil por várias razões, mas a principal dificuldade foi o frio que se fazia sentir.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Espessura do Tempo_parte IV

Já se aproximava da hora de almoço, mas ainda assim decidimos parar para conhecer mais uma aldeia - Sarzedas. Assim que parámos, o Carlos foi logo reconhecido. Rapidamente fomos convidados para um café oferecido por um senhor muito simpático. Enquanto esperava à porta do café, saiu um desenho, rápido, mas o suficiente para registar o momento, destacando-se o Pelourinho. 


Ainda houve tempo para mais dois registos, em jeito de andamento. As cores vieram  mais tarde.


Esticámos a corda e fizemos uma nova paragem - Escalos de Cima
O desenho à esquerda é de uma casa construída no início do séc. XX, propriedade de um emigrante brasileiro, que voltou do Brasil cheio de dinheiro. Esteve abandonada até há uns anos atrás quando foi adquirida por um "novo milionário".

O Desenho à direita foi feito a caminhar em direção à igreja.


Andava frustrado por não conseguir desenhar o castelo. No último almoço tinha de conseguir lugar com vista para o castelo. Foi só uma nesgazinha, mas deu para o gasto.

Foram dois dias extraordinários. Fico com uma enorme dívida de gratidão à organização, mas sobretudo ao Carlos Matos. Até breve Castelo Branco




sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

desenho vadio

 
Rua Maria Barreto Bastos
 
 
Esq. Rua Almirante Gago Coutinho. Dir. Rua José Eduardo César
 
 
Rua da Cruz

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Espessura do Tempo_ Castelo Branco_parte III

4 de fevereiro domingo_2º dia
 
O dia começou cedo. Mais um pequeno-almoço solitário. Hoje houve tempo para um desenho colorido da paisagem.
 
 
Lá fomos nós novamente, no rally paper desenhado. Hoje temos novos companheiros do risco.
1ª paragem Póvoa do Rio de Moinhos. Depois de uma visita à aldeia saiu o primeiro desenho. Vimos a antiga prisão, a igreja mas ficámo-nos pela antiga casa do Juiz. Se em tempos teve alguma beleza, neste momento está completamente descaracterizada.
 
 
2ª Paragem - Tinalhas
 
A aldeia está deserta, percebemos porquê quando começamos a ouvir os cânticos no interior da igreja. Não sei se foram os cânticos, ou o sol, fiquei-me por aqui. À minha frente o que resta da casa agrícola do Conde de Tinalhas. Está a entrar num processo de ruína comprometedor. No final da missa, encontramos um arquiteto da Câmara que nos explicou um pouco da história da casa. Nascei torta à nascença, com uma péssima construção, ao ponto de terem desistido de a concluir e terem começado outra casa noutro local para o digno conde de Tinalhas. É verdade? não sei, mas gostei da história, sobretudo no final de uma misa...
 
 
Próxima paragem - Barragem da Marateca. Um local de uma beleza inigualável, tal como o frio que se fazia sentir. Ao fundo a gardunha e a serra da estrela. Abriguei-me numas rochas a desenhar. Por momentos perdi a noção do tempo. Desta vez o Carlos teve mesmo de me arrastar para a carrinha...
 

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Espessura do Tempo_Castelo Branco_parte II

dia 3 de fevereiro. Parte da tarde.

Antes do almoço ainda fizemos uma paragem, na Ribeira da Magueija. Encontrámos mais um belo moinho, que acabei por desenhar (esq.). O almoço foi no Café da Bica que estava cheio de homens, novos e velhos que se preparam para mais uma tarde de trabalho no campo. Levamos o farnel e fizemos um piquenique na esplanada coberta. Os habitantes que passam, cumprimentam-nos com alegria e curiosidade. Aproveito para desenhar um dos meus colegas de jornada, o Aires, natural de Cabo Verde (ilha da Boavista). Quando a preguiça começa a dominar-nos, arrancamos à busca de novos lugares.


Próxima paragem: Sarzedas
Com o entardecer o frio instala-se de forma severa, levando-nos a procurar locais abrigados. Esta rua estreita, mais precisamente esta casa conseguiram convencer-me. 


De seguida, encontro os restantes desenhadores no "Largo do Pelourinho".

Partimos, rumo a Castelo Branco. Às 17:00 esperava-nos a inauguração da exposição do artista plástico João Gama, que por acaso estava connosco a desenhar. 

Pelo caminho, ainda houve tempo para uma nova paragem - O Moinho da Taberna Seca. Um local incrível. Um conjunto e casas em ruínas que deveria ser a casa do moleiro e anexos, cuja construção revela bem a importância que este lugar terá tido no passado. Junto ao rio, fica o moinho e a levada. Uma estrutura extremamente interessante e singular e de uma enorme beleza.
Estávamos todos preocupados com as horas. Por outro lado, o artista principal estava connosco, logo a exposição não seria inaugurada sem que primeiro tivéssemos chegado. "Vamos João?" e o João responde "Já?, mas a inauguração é só às 17:30 e ainda são 17:00".




terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Espessura do Tempo - Castelo Branco_parte I


Há uns dias atrás, recebi um inesperado convite, que chegou da Câmara Municipal de Castelo Branco, mais precisamente do Carlos Matos - Participar no projeto Espessura do Tempo.
 
Por vários motivos, mas sobretudo por me rever neste tipo de projectos e no trabalho do Carlos, decidi aceitar o convite.
 
No sábado de manhã, num pequeno almoço solitário, saiu o primeiro desenho. Fiquei no Tryp Colina Hotel, com uma vista soberba e um atendimento 5 estrelas.
 
 
9h - Encontrámos-nos junto ao Teatro Cine - lá estava uma carrinha da Câmara e o motorista, o Sr. Mota, com uma paciência e uma disponibilidade inesgotáveis. Aos poucos, os desenhadores foram aparecendo. Não conhecia ninguém, apara além do Carlos.
 
Lá fomos nós numa espécie de rally paper desenhado pelas freguesias rurais do concelho.
 
A 1ª paragem foi na ponte do Rio Ocreza, junto ao moinho do Ti Diogo, que infelizmente faleceu no ano passado. As casas estão a ser recuperadas pelos filhos. Felizmente, antes de falecer o Carlos tratou de perpetuar a história de vida do Ti Diogo, registando longas conversas que resultaram num documentário - O último Moleiro do Rio Ocreza.
 
Desde o casario implantado à beira do rio, até à paisagem envolvente, trata-se de facto de um local extraordinário, que para ser perfeito só ficam a faltar as pessoas. Estava um frio daqueles. O chão ainda estava branco do gelo, mas aos poucos o sol começou a beijar as rochas e as paredes das casas, como que a dizer "Fiquem". Assim foi, ficámos...e desenhámos.
Ao desenhar, dei por mim a imaginar o quotidiano do Ti Diogo, a sua vida pessoal e a relação com os agricultores que aqui vinham deixar os cereais. 
 
 
 
2ª Paragem - Chão da Vã - Deparámo-nos com esta preciosidade. Sentamo-nos a desenhar e rapidamente aparecem alguns moradores, para ver o que é que "estes malandros" andavam a fazer. Das conversas que fomos ouvindo, desde o melhor peixe do dia, ao endireita e ao voltarem, retive esta conversa:
 
"Andam à procura de casa para comprar? Essa não vale a pena, o dono antes de morrer, ofereceu à Câmara, para deitar abaixo. O Largo precisa de mais largueza para a Festa. O problema é que já não há, nem pessoas, nem festa. Mas pelo sim, pelo não, vão mesmo mandar a casa abaixo".
 
É pena, se isso acontecer, atrevo-me a dizer que vão perder a casa mais bonita da aldeia. Mas ficará registada na nossa memória.
 
 
 
3ª Paragem - Lá fomos nós pelas ruas estreitas e curvilíneas até à Malhada do Cervo. Esta casa, pelas tonalidades do xisto, chamou-me à atenção. Juntei-me ao Carlos, até que nos apareceu mais uma solicita moradora - "Querem comprar casa?" " O que é que andam a fazer?" "Querem tomar alguma coisa?" Estou de volta do almoço e à espera do meu cliente, que deve estar a chegar". Ouvimos uns passos, aí vinha o cliente, o marido, ou seja, o Ti Ricardo. Depois de nos contar a vida quase toda, lá foi para casa, atraído pelo cheiro do guisado da sua esposa. Percebemos que estávamos atrasados. De repente o cheiro do guisado tornou-se demasiado violento, tivemos de fugir.
 
 
 
 
 
 
Para mais tarde recordar, eu e o Ti Ricardo.
 
Nota: Nos próximos dias publicarei os restantes desenhos

Publicação em destaque

Nota Biográfica

André Duarte Baptista, arquiteto, nasce em 1980 na cidade de Torres Vedras, onde reside e trabalha. Em 2013, obtém o grau mestre em arqui...