segunda-feira, 24 de julho de 2017

Encosta de S. Vicente - Registo visual da realidade física e social

Tenho aguardado para escrever algumas palavras sobre o que se passou em Torres Vedras, entre os dias 17 e 22 de julho. Preciso de mais uns dias para recuperar e escrever algo à altura do que ali se passou. Mas a gratidão sobrepõe-se e aqui ficam algumas palavras e imagens.
 
Quando convidei a Suzana e o António, tinha plena consciência da qualidade do trabalho deles, logo as expectativas já estavam elevadas. Mas o resultado superou todas as expectativas. No dia 17 iniciaram a emersão na ENcosta e ainda no dia 17 passaram a fazer parte daquela comunidade. Isso não se consegue só com a qualidade do traço ou da mancha, consegue-se sim com caracter, simplicidade e um coração do tamanho do mundo. Fiz questão de deixa-los percorrer o caminho sozinhos, livres de preconceitos, pois tinha certeza que iriam ser bem recebidos.
O Desafio deste convite consistia no registo físico e social da Encosta de S. Vicente, cujo processo de regeneração urbana inicia no próximo mês de setembro. Mas eles conseguiram mais, muito mais, conseguiram aumentar a autoestima de uma comunidade que se sente excluída, tendo em conta o seu caracter periférico.
Se uma imagem vale mais do que mil palavras, uma pessoa vale mais do que mil casas.
Provavelmente outras residências virão, mas esta terá sempre um lugar de destaque e isso deve-se sobretudo à Suzana e ao António. 
 
 
 
Entre os dias 17 e 22 de julho, passaram por Torres Vedras 56 desenhadores, vindos de vários pontos do país, que de forma generosa enriqueceram ainda mais o trabalho iniciado pela Suzana e pelo António.
 
O momento alto foi o dia 22 de julho, o último dia, onde se concentraram 45 desenhadores de várias idades.
 
O local de encontro foi o antigo matadouro municipal, cuja reabilitação permitirá a instalação do Centro de Artes e Criatividade. A parte da manhã foi dedicada ao Matadouro, Bairro Reis e Bairro da Floresta.
 
 
 
O Grupo da manhã: foto de Inês Mourão
 
 
 
 
O almoço foi no Choupal. A parte da tarde foi dedicada ao Choupal e Ermida Nossa Sra. do Ameal. Os mais "corajosos" (estava imenso calor) e  subiram a Encosta até ao bairro do Forte. O António foi mesmo até ao topo mais alto para levar o pessoal a desenhar "telhados deformados". A Suzana ficou-se pela Loja do Sr. Cuxixo e da Sra. Prazeres. Cá fora sentada, estava a moradora mais velha do Bairro, 96 anos - a Suzana desenhou-a. Enquanto isso várias pessoas aproximam-se, observando o trabalho da Suzana. Momentos de alegria.
 
 
 
 
 
Às 17h ocorreu a tertúlia - partilha de experiências com Suzana Nobre e António Procópio. O local escolhido foi a secular Ermida Nossa Sra. do Ameal.
 
 
 
 A tertúlia contou com a presença de elementos da comunidade que assistiram à apresentação dos desenhos, dos seus rostos, das suas ruas, das suas casas, do Lugar onde vivem - Encosta de S. Vicente.
 
 Grupo da tarde
 
Assim terminou uma iniciativa, pelo menos a 1ª fase. Para o ano está previsto um novo encontro, já com as obras a decorrer, mas até lá terão novidades desta iniciativa. O que aqui se fez terá certamente outros resultados, nem que seja como forma de agradecer à população, aos desenhadores e claro, à Suzana e ao António, a quem ficarei eternamente grato.
 
Em meu nome, do Município de Torres Vedras e da Cooperativa de Comunicação e Cultura, muito obrigado a todos.
 
Uma palavra de apreço aos parceiros institucionais que muito contribuíram para o sucesso do evento através dos canais de comunicação: Oeste Sketchers; DGPC; Ordem dos Arquitectos; Associação Portuguesa de Reabilitação Urbana e Protecção do Património. Não menos importante foi o contributo da Winsor & Newton, pelo patrocínio com material (papel e marcadores)
 
 
Toda a informação:

quarta-feira, 19 de julho de 2017

12º Enc. Oeste Sketchers - Batalha do Vimeiro


Sketchers - Batalha do Vimeiro
No passado domingo, lá fomos nós para a Guerra - correr com os franceses
 
O local de encontro foi a igreja. aos poucos lá foram chegando os sketchers todos. Alguns vinham vestidos à época, como a Ana Ramos, que apanhei aqui já no final do desenho.
 
 
Lá em baixo o frenesim aumenta. A guerra está para começar, com direito a "relato". E que guerra. Os canhões disparados ecoaram pelas ruas do Vimeiro, assustando todos os presentes. Crianças começam a chorar e Gritos de guerra que nos fazem imaginar o caos que terá sido. O medo que as pessoas tiveram. Os danos materiais e imateriais. O sangue derramado. As vidas perdidas. Ingleses e portugueses correm com os franceses. Quem me conhece, sabe que não sou muito dado a recriações históricas, mas tenho de confessar que esta surpreendeu-me pela positiva.
 
 
Fazendo-nos lembrar a Guerra de Raul Solnado, depois da batalha, fomos todos almoçar, ingleses, portugueses e até franceses. Intervalo é intervalo e toda a gente tem direito a comer. O desenho que se segue, foi feito enquanto esperávamos pelo almoço, assistindo ao convívio dos figurantes, que correm o país integrando recriações históricas. Fazem-me lembrar uns maluquinhos que por aí andam com caderno debaixo do braço.
 
Depois do Almoço, deslocámo-nos até ao centro interpretativo, onde havia feira, com comida, música e muitas actividades. Depois do Pedro Loureiro comprar um caderno XXL, que mal cabe na mochila, lá fomos à procura de poiso numa esplanada com vista para o campo de batalha, que quase não era desenhado, já que nos dedicámos aos figurantes. Até eu arrisquei desenhar pessoas. Sim desenhei pessoas, pelo menos tentei. A personagem abaixo é o Salvador, um verdadeiro artista local, que desenhou e pintou todos os azulejos do Centro Interpretativo. Enquanto ia mostrando as suas obras no telemóvel, arrisquei.

 

 
No fim, antes de ir embora, o campo de batalha.
 
 
Parabéns Pedro, Ana e Bruno, pela excelente organização. Até breve

sábado, 15 de julho de 2017

Algarve à Sombra_parte III (última)

Ainda no dia 8, no encontro com os urban sketchers Algarve, tive tempo de fazer mais dois desenhos.
Foram feitos nas escadinhas que dão acesso à igreja. Lá em cima ouvem-se cânticos no interior da igreja e alguma azáfama no exterior. É dia de casamento. De repente os sinos tocam e as pessoas saem. Aplausos e alguns gritos de alegria. Já está. Só se ouve inglês. Passa um local (raro, mas acontece) que diz "mais uns ingleses que se casam cá, agora é quase todos os fins-de-semana". Enquanto fazia o primeiro desenho, começo a ouvir o barulho dos saltos altos a bater na calçada. Lá veem os noivos e convidados a descer a escadaria. Mantive-me sentado e eles lá foram contornando.
 
 
Depois de quase ser atropelado, mudo de posição de desenho a igreja, antes de me despedir de Ferragudo.
 
 
O desenho que se segue foi feito no domingo, dia 9, antes de regressarmos a casa. A esplanada do costume, junto à igreja de Armação. Mudei o enquadramento, só para não me repetir. Para o ano há mais. 

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Algarve à Sombra_parte II

Caderno novo. Sempre um drama a selecção de um novo caderno, sobretudo quando passamos de Ferrari (laloran) para um Fiat (Tiger). A mudança de cadernos é sempre um desafio interessante, obriga-me a ajustar a forma de desenhar. Confesso que estou a gostar deste formato.
 
O desenho que se segue foi feito à porta da igreja. 12h30 - hora da partilha. Enquanto conversávamos fui desenhando este enquadramento.
 
 
Partilha feita, hora de comer. Descemos as escadinhas rumo ao cais. Depois de algumas indecisões, decidimo-nos pelo Restaurante (outrora Tasca) Borda do Cais. Sardinha assada para todos.
No interior tinha este enquadramento.
 
 
Depois do almoço, o objetivo era desenhar as ruas estreitas de Ferragudo. Encontrei um recanto com banco de jardim. Muitas casas devolutas. Por outro lado enquanto desenhava, passavam vários turistas, a maioria ingleses e franceses, com cadernos na mão a apontar contactos de imobiliárias. Alguns deles ligaram dali mesmo, percebendo-se o forte interesse em investirem. Independentemente das opiniões ou receios que isso nos traga, alguma coisa tem de ser feita. O estado de abandono e degradação em que as ruas se encontram, é que não pode continuar.
 
 
Mais um conjunto de casas devolutas. Para além do ruído do talher, das televisões e das crianças mais "agitadas", uma presença constante são as gaivotas
 
 
 
Amanhã há mais....
 

Está a chegar

http://www.ulusofona.pt/agenda/curso-verao-dau#img1




PROGRAMA

Primeira semana

1.a Sessão 2of_17 jul 2017 _ 10h 13h_ (3 horas) ou 18h 21h Filipa Antunes
2.a Sessão 3af_18 jul 2017 _ 10h 13h_ (3horas) ou 18h 21h Eduardo Salavisa
3.a Sessão 4af_19 jul 2017 _ 10h 13h_ (3horas) ou 18h 21h Convidado Urban Sketchers
Portugal
4.a Sessão 5af_20 jul 2017 _ 10h 13h_ (3horas) ou 18h 21h Mário Linhares
5.a Sessão 6af_21 jul 2017 _ 10h 13h_ (3horas) ou 18h 21h André Batista



Segunda Semana
6.a Sessão 2of_24 jul 2017 _ 10h 13h_ (3 horas) ou 18h 21h Luís Ançã
7.a Sessão 3af_25 jul 2017 _ 10h 13h_ (3horas) ou 18h 21h Mónica Cid
8.a Sessão 4af_26 jul 2017 _ 10h 13h_ (3horas) ou 18h 21h Convidado Urban Sketchers Portugal
9.a Sessão 5af_27 jul 2017 _ 10h 13h_ (3horas) ou 18h 21h Pedro Alves
10.a Sessão 6af_28 jul 2017 _ 10h 13h_ (3horas) ou 18h 21h Exposição Final de Curso

Link para inscrição: https://secure.grupolusofona.pt/rol/f?p=126:1:::::P1_GRAU,P1_INSTITUICAO,P1_CURSO:9,103,492


Propina única: 175 Euros

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Algarve à Sombra_parte I

Na passada 6ª feira, lá fui eu buscar o Tomás que foi passar uma semana de férias com a avó em Armação. Como a praia já não é uma opção, lá vou eu correndo as esplanadas. Vou variando para não sacrificar sempre os mesmos. Há quem escolha as esplanadas pelo sinal de wi-fi, eu já estou na fase que só quero saber se tem um bom enquadramento (e no algarve é cada vez mais difícil, tais são os atentados urbanísticos). Todos os anos me sento nesta esplanada no largo frontal à igreja. Para além das vistas desafogadas, corre sempre uma brisa fresca. Faço sempre o mesmo desenho (é engraçado ver as diferenças de ano para ano). Felizmente a Vila Maria Albertina vai resistindo à pressão imobiliária. Este ano até está de cara lavada.
 
O segundo desenho foi feito no sábado, em Ferragudo num encontro com os urban sketchers Algarve. Agradeço ao Hélio Boto que organizou um encontro em tempo record, só para me receber entre amigos. E valeu tanto a pena.
 
Ferragudo, perguntava eu?? sim, ruas estreitas, sombra, fresco e um ambiente pitoresco. Bela escolha.
Local de encontro - a Igreja, pois "é fácil dar com ela, aqui ainda não há torres".
 
O primeiro desenho foi feito debaixo de uma árvore, à conversa com o Tom, descendente de ingleses e alemães. Um humor muito interessante.
 
Passado alguns minutos, aproxima-se um curioso. "posso ver os vossos desenhos?". Claro. "Hum...desenho de arquitecto", dizia ele a medo, como que se estivesse com pena de mim. E eu, claro. "Eu vi logo, pois também sou. Sérgio, prazer". Seguiu-se uma longa e interessante conversa sobre desenho e reabilitação urbana. Pela conversa não desenha há algum tempo, mas algo me diz que isso vai mudar. 
 
 
 
O desenho que se segue foi sugestão do Sérgio. "Ali, a seguir ao portão, vale a pena, uma vista sob a praia e o castelo". O castelo é o que é (não é), mas a restante vista vale mesmo a pena.
 
 
Os restantes desenhos serão publicados em breve.

domingo, 9 de julho de 2017

Convite - Desenho de Rua - Reabilitação Urbana

 
 
 
Olá a todos. Dia 22 de julho, temos um novo encontro de desenho em Torres Vedras. Estão todos convidados. Os primeiros 30 inscritos têm direito a ofertas especiais, que incluem um caderno. Contamos convosco!
 
Inscrições: Gratuitas, mas sujeita a pré-inscrição para geral@ccctv.org
 
Para além do encontro estão previstas residências artísticas, com a participação de dois desenhadores (urban sketchers), que durante uma semana terão oportunidade de desenhar nos seus cadernos a realidade física e social da Encosta de S. Vicente. Para o efeito, foram convidados o António Procópio e a Suzana Nobre.

Organização: Cooperativa de Comunicação e Cultura e Município de Torres Vedras


Programa:
17 jul – 21 jul – Residências Artísticas

22 jul – Desenho de Rua
10h – Encontro junto ao Antigo Matadouro Municipal
13h – Almoço livre – sugestão – Piquenique no Choupal
17h – Tertúlia com António Procópio e Suzana Nobre