segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Café a Brazileira

A Brasileira de Torres
Em 1915, nascia o Café a Brazileira, tendo como primeira morada a rua Serpa Pinto. O visionário foi o Sr. Luiz Pinto. 15 anos depois, em 1930, mudava-se para o Largo de S. Pedro, para este edifício de esquina, entre as ruas 9 de Abril e Almirante Gago Coutinho. Esta casa ganhou fama através dos seus pastéis de feijão, como o comprova a fachada norte do edifício. Os últimos proprietários foram o Sr. Ricardo Lopes e a Sra. Maria do Carmo, que estiveram à frente desta casa mais de 40 anos. Em 2015, falecia o Sr. Ricardo, vítima de doença. Começava o fim da Brasileira, confirmado com a morte da sua esposa, passado pouco tempo. O Largo e a cidade ficaram mais pobres e tristes. O edifício de 3 pisos, actualmente devoluto, em tempos, para além do café, albergou a habitação do proprietário, a Pensão Abegão, a Papelaria e Livraria Imperio e a Sapataria Gomes.
Este desenho é dedicado ao Sr. Ricardo e à Sra. Maria do Carmo, que juntos, escreveram uma bela página do património imaterial do centro histórico de Torres Vedras.



quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Save the Date: 2-4 de out. 2020

No seguimento do anunciado no final do 5º encontro, vimos por este meio confirmar que o 6º Encontro Internacional de Desenho de Rua – Torres Vedras  , se realizará entre os dias 2 e 4 de outubro de 2020

“Linhas que se cruzam”


O 6º Encontro Internacional de Desenho de Rua ocorrerá entre os dias 2 e 4 de outubro, tendo como tema as "Linhas que se Cruzam".
À semelhança das edições anteriores, o 6º encontro proporcionará momentos de partilha entre desenhadores do Brasil, Espanha e Portugal, países de origem dos formadores convidados. Para além dos participantes inscritos, continuamos a dedicar um dia às escolas, permitindo a estudantes das mais variadas idades e áreas de ensino o contacto com o desenho de rua/urban sketching. que é neste momento um fenómeno de dimensão mundial, contando com um elevado número de praticantes que através do desenho vão registando nos seus cadernos, os lugares e os acontecimentos do quotidiano. Torres vedras tem-se afirmado como um destino preferencial destes desenhadores, atraídos pela variedade e riqueza do seu património cultural e natural, mas também pela sua gastronomia, ou pela forma como são acolhidos pelos torrienses.
O Encontro conta com um percurso desenhado pela cidade e com um conjunto de oficinas de desenho de rua que, para além de explorar técnicas e formas de observar distintas, permitirá dar a conhecer a realidade física e social do território. Paralelamente, estão previstas tertúlias e conferências cuja temática será o desenho de observação.
Os lugares a desenhar foram estrategicamente selecionados, tendo como ponto de partida o tema escolhido, " Linhas que se cruzam": Estações, apeadeiros e Caminho-de-ferro; rios e ribeiras; Fortes e Fortins; Estradas Nacionais e pontes.
Esta atividade é aberta a qualquer pessoa, desde a mais experiente, aquela que nunca desenhou, contribuindo para desmistificar a ideia de que “para desenhar é preciso ter talento, imaginação, ter vocação. Nada mais falso. Desenho é linguagem (...) e enquanto linguagem é acessível a todos. (...) o desenho, é também uma forma de conhecimento.” 
(João Vilanova Artigas)
O material é opcional, sugerindo-se a utilização de caderno, canetas, grafite e aguarelas.
Para a concretização desta iniciativa contamos com a preciosa colaboração de vários parceiros.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Caminhada Ilustrada - Cucos

25 de janeiro | 9h30 | Antigas Termas dos Cucos - Torres Vedras Vamos iniciar uma série de oficinas de desenho, que visam associar arte e lazer - o desenho associado a caminhadas por locais de valor cultural, ambiental e paisagístico. Estas atividades serão coordenadas por mim, André Duarte Baptista, mas está prevista a participação de outros desenhadores. Na primeira sessão contamos com o Filipe Reis Oliveira. Juntos vamos explorar o potencial da Linha. Propõe-se um percurso com várias paragens para o registo dos  elementos mais significativos, desde edifícios, ruínas, ou elementos naturais. No final, está previsto um piquenique, onde partilharemos desenhos e experiências.

Objetivos: Esta atividade pretende estimular o gosto pelo desenho de viagem, um desenho mais rápido e sintético, acompanhado por pequenos apontamentos escritos, fruto da relação entre observador/desenhador e o lugar. Ilustrar o percurso que vamos fazendo durante a caminhada. Vamos encontrar elementos naturais, como a serra, as plantas, o rio, as árvores, o jardim romântico do séc. XIX, mas também edifícios imponentes como as antigas termas dos cucos, ou ruínas: forno de cal e duas azenhas.

Público-alvo: a partir dos 8 anos, com ou sem experiência no desenho.

Material necessário: Opcional, mas vamos privilegiar o caderno e materiais riscadores, como grafite, aguarela, canetas ou lápis de cor.

Recomendações: O percurso é curto e acessível (máximo de 5Km), no entanto recomendamos o uso de roupa e calçado adequados a caminhadas.

Valor: 10€

Notas:
A organização não se responsabiliza por qualquer acidente.
Relativamente ao piquenique, cada um pode levar o seu almoço ou partilhar. O objetivo é promovermos mais um momento de partilha e possibilitar que a ação se prolongue pela tarde (opcional).

Mais informações: lugareforma@gmail.com Acompanhar o evento nas redes sociais

Novo logotipo


quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

De Monte Redondo, à Loubagueira


De Monte Redondo, à Loubagueira

15 Km de caminhada ilustrada


9:00


De regresso a Torres Vedras, volto a escolher as aldeias do meu concelho para as caminhadas ilustradas. 
Desta vez optei pela freguesia de Maxial e Monte Redondo, localizado na zona nascente do concelho. Iniciei junto ao cemitério de Monte Redondo, entrando por uma zona de eucaliptos rumo à Quinta das Lapas. Passados alguns quilómetros verifico uma alteração na paisagem - o abate de alguns hectares de eucalipto. Nada a lamentar, apenas o facto de já estar prevista a replantação  desta espécie. Mas estas alterações, na maioria dos casos, permitem-nos fazer novas descobertas - num monte na zona poente da quinta das Lapas surgiu uma antiga atalaia, que há muito andava desaparecida. Não desenhei logo esta estrutura, deixando para mais tarde. A primeira "paragem técnica" foi junto a um casa em ruínas. Atualmente é conhecido como casal Pingue, no entanto, na cartografia do Filipe Folque, da década de 1850, aparece como Casal Victorino. 

Apesar de apresentar uma dimensão razoável para um casal, a área destinada à habitação é bastante diminuta, apresentando apenas 4 divisões, pois dava-se mais importância às instalações que garantiam o sustento das famílias. Entrava-se pela sala, que assumia sobretudo o papel de zona de circulação de acesso à cozinha e ao quarto principal. Todas as divisões tinham uma pequena janela com enquadramentos dignos de um postal, mas naquela altura a preocupação era outra - a orientação solar e a ventilação. As vistas bonitas era coisa de ricos. A única divisão que não tinha janela, era o chamado quarto dos fundos, com uma área bastante reduzida, cujo acesso era feito através da cozinha, por onde também se acedia ao celeiro. Esta porta denúncia a importância do celeiro, pois a porta de madeira de duas folhas "carrega" duas cruzes pontadas a preto, para que as colheitas fossem abençoadas. A cozinha ainda tem parte do forno, assim como uma bancada com alguns objetos do quotidiano da última família que ali habitará: um porta moedas, algum talher e até alguns brinquedos de crianças. O celeiro, que também tinha uma porta virada para o logradouro a sul, por onde entravam as colheitas, é maior que toda a habitação, assim como a adega, localizada na zona norte da edificação, cujo acesso era feito pelo interior do celeiro, ou pelo exterior, por uma porta de "grande dimensão" orientada a poente. A adega ainda conta com um lagar e respectivo fuso, assim como dois depósitos de betão. No desenho abaixo, regista-se fachada principal, que nos revela que nesta zona o material utilizado com maior frequência era a pedra, em detrimento do Adobe. A explicação é simples - proximidade às serras. Deixo-vos ainda uma planta esquemática do conjunto edificado.



Rumo no sentido da Quinta das lapas. A meio caminho, faço alguns registos da ruína da atalaia e da antiga capela da quinta. 





O último desenho apresenta-nos a quinta das lapas. O frontão neoclássico é da nova capela. Já fiz vários desenhos da quinta, por essa razão, opto por não me perder novamente com a riqueza deste conjunto arquitectónico, dando prioridade a um elemento menos conhecido - a mina de água que alimentava à quinta, localizada no topo nascente da quinta, numa cota elevada, junto à localidade de Lapas Grandes (1° desenho abaixo).


Sigo caminho rumo aos moinhos eólicos no topo da serra. Nova paragem técnica, aproveitando para contemplar a paisagem. Estou num dos pontos mais elevados do concelho. Daqui avisto a cidade com o seu castelo e o forte de São Vicente, mas também Varatojo. A norte tenho a Loubagueira, Maxial e  Campelos. 
Sigo caminho rumo à Loubagueira, mas sem antes de subir a um novo monte sobranceiro a essa aldeia. Junto aos moinhos, encontro à ruína de um antigo moinho, que foi aproveitada como base para um marco geodésico. Caminho alguns quilómetros no topo da serra, onde encontro uma Torre de controlo para o combate aos incêndios, com uma vista de 360º sobre todo o concelho. Não deixa de ser curioso, que esta torre também tenha sido implanta em cima  da fundação de um antigo moinho.


Desço pelo interior de um novo eucaliptal e eis que entro na Loubagueira implantada numa elevação. Ao fundo,  a capela, construída no séc. XX, apresentando uma arquitetura muito estranha. Caminho junto a uma ribeira num pequeno vale encaixado entre o o monte e a aldeia. Volto a subir e encontro às últimas casas. Entro num novo eucaliptal, caminhando por alguns caminhos por onde andam apenas tractores e outras máquinas associadas à produção destas árvores. Pelo meio encontro uma estrutura construída que terá servido como torre de controlo no combate aos incêndios. Cruzo-me com a estrada vai para Monte Redondo, que já foi sede de freguesia. Hoje integra a União de Freguesias de Maxial e Monte Redondo. Ao fundo, a igreja que se destaca no meio do casario. Viro à direita, rumo ao cemitério que fica fora do lugar. Termino onde comecei, mas sem antes ter encontrado uma nova construção, que também desconhecia a sua existência - um antigo forno de cal, encaixado no monte e camuflado pelas canas. A estrutura principal mantém-se intacta tendo perdido apenas a cúpula, que funcionava também como chaminé e o telheiro frontal , conforme desenho abaixo .


Caminhar e desenhar dá-nos um tempo diferente, um tempo longo, que nos permite interagir com os lugares e pessoas, e treinar o olhar, um olhar que já não se limita a olhar, mas sim a VER.

Trilho completo com fotos, AQUI

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

1º do ano de 2020

De Porto Côvo, à albufeira da barragem de Morgavel
18,5 Km de paisagens inigualáveis

Porto Côvo - Sines
9:00

Apesar de ter sido noite de passagem de ano, voltei a acordar cedo e aproveitei para dar as boas vindas ao novo ano com uma nova caminhada de 18,5 km.
Após várias dias a explorar a costa de Porto Côvo, senti vontade de conhecer o seu interior.

Parti rumo à Albufeira da barragem de Morgavel. Meti-me pela estrada do parque de campismo, seguindo-se um trilho de terra batida que atravessa a Herdade das Várzeas. Este trilho é magnífico, pois a nascente temos uma planície, onde ao longe avistamos as serras e os moinhos eólicos. A poente, logo após a planície verdejante, vislumbra-se o oceano ponteado pelos navios de carga que aguardam entrada no Porto de Sines. A minha única companhia são as vacas que começam a pastar logo após os primeiros raios de sol. Não se vê vivalma. Silêncio, quebrado apenas pelo mugido das vacas, o cantar dos galos e o ladrar dos cães. 

Chego à Herdade, um conjunto de casas térreas, cuja quantidade de portas e carros estacionados no exterior denunciam mais um Alojamento Local. Terminado o trilho da herdade das várzeas, sigo por um caminho rural, onde volto a encontrar um monte (1º desenho abaixo). Mais à frente, cruzo-me com a estrada municipal nº 554, mas continuo por terra batida no sentido nascente, numa zona de montado e eucaliptal. 
Pelo caminho encontro um monte abandonado, uma imagem bucólica que tinha de ser desenhada (2º desenho abaixo).

Uns quilómetros à frente e nova estrada (N-120-4), que volto a evitar. Pelo caminho encontro rasto de javalis. Mais à frente, vislumbra-se a barragem (3º desenho abaixo), e sente-se nos ossos - a humidade e o frio. À volta da barragem encontramos várias árvores de grande porte que abrigam várias autocaravanas. A cota da água é baixa, muito baixa, o que nos permite caminhar junto às bermas.


Um agradável passeio e uma bela paisagem manchada apenas pelas chaminés da central termoelétrica de Sines. Está na hora de voltar sentido a casa, mas por outro caminho. Parti para poente, rumo à costa, passando por um antigo monte, também este abandonado (1º desenho abaixo). Sem querer, pus-me a imaginar o potencial destes espaços. O que poderia ser feito. O tipo de usos...etc... Defeito de formação.... 
Cruzo-me novamente com estrada nacional 120-4, mas opto pelo caminho rural que vai em direção ao mar. Os barcos continuam lá, à espera de vez. À direita vislumbra-se a praia de São Torpes, a central, e o porto de Sines. À esquerda sou seduzido por uma barraca de madeira e chapa metálica que tem o oceano como pano de fundo (2º desenho abaixo).

Chego à praia da Oliveirinha (1º desenho abaixo), rumo ao sul, sempre junto ao mar. Ao fundo a ilha do pessegueiro. A paisagem é esmagadora. Cada passo que damos, há sempre uma nova surpresa. As rochas são todas diferentes, dando um efeito policromáticos que carateriza a Costa vicentina. 


Mais uns quilómetros e chego a Porto Côvo. Final de viagem. Amanhã há mais 

Desenho feito ao final da tarde - capela




Trilho completo AQUI.



terça-feira, 15 de outubro de 2019

Pequena Rota 3 Lapas Grandes, parcialmente ilustrada

15Km de paisagens rurais de uma beleza singular que vale a pena conhecer. Matacães, Lapas Grandes, Monte Redondo, Serra São Julião, Nossa Senhora da Glória, Sevilheira, Ribeira de Matacães e novamente Matacães




Publicação em destaque

Nota Biográfica

André Duarte Baptista, arquiteto, nasce em 1980 na cidade de Torres Vedras, onde reside e trabalha. Em 2013, obtém o grau mestre em arqui...