quarta-feira, 4 de abril de 2018

Nota Biográfica

André Duarte Baptista, arquiteto, nasce em 1980 na cidade de Torres Vedras, onde reside e trabalha. Em 2013, obtém o grau mestre em arquitetura, cuja dissertação se intitula O Lugar como Simbiose. Centro Histórico de Torres Vedras. 2014, enquanto arquiteto, inicia a colaboração com a Área de Planeamento da Divisão de Planeamento Estratégico e Territorial no Município de Torres Vedras, onde coordena alguns projetos associados à regeneração urbana e ao património cultural, destacando-se o Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano, o Arte ao Centro e o Encontro Internacional de Desenho de Rua. 
 
Paralelamente, desenvolve trabalhos na área da ilustração e educação patrimonial, possuindo Certificado de Competências Pedagógicas para exercer a profissão de Formador. É coordenador do grupo de desenho de rua da sua cidade, tendo sido um dos fundadores do Oeste Sketchers. Também é correspondente convidado dos Urban Sketchers Brasil e Membro dos Urban Sketchers Portugal.
 
É membro do  ICOMOS, do Colégio de Arquitectos Urbanistas, da Associação Portuguesa para a Reabilitação Urbana e Proteção do Património, da Sociedade Portuguesa de Estudos de História de Construção e da Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras.           

Ao longo dos últimos anos tem orientado vários Workshops sobre desenho de observação, em Portugal e Brasil, destacando-se os seguintes: Arte ao Centro (2014); Encontro de Desenho:  Vamos desenhar em Família (Dia da Criança 2014); APECI – Associação Para o Ensino de Crianças Inadaptadas – Torres Vedras – Oficina de Desenho (2014); Museu Leonel Trindade – Torres Vedras - Museu Aberto – Oficina de desenho – pessoas com necessidades especiais (2014); Encontro Internacional de Desenho de Rua de Torres Vedras (2015 e 2016); Associação Estufa – Torres Vedras - Workshop – Diário gráfico para crianças (2015); Museu da Electricidade – Workshop de Diários Gráficos – Linha / Sombra / Luz (em parceria com Pedro Alves); Casa Atelier Vieira da Silva – Lisboa – “As parte e o todo: A identidade do Lugar" (2016); (a)riscar o património com famílias (2016); Escola Raúl Proença – Caldas da Rainha – “desenho de observação – Identidade do Lugar” (2017).  Lusófona Summer Scholl – Urban Sketchers (2017); Bienal de Ilustração da Ajudaris – Amarante – “Desenhar à Descoberta do Património” (2017). Residências artísticas (desenho e lugar) em Amarante (2017) e Castelo Branco (2018). 

Ainda no âmbito do desenho tem integrado exposições colectivas: Câmara Clara – Torres Vedras - arte ao centro (2014); Lisboa - O Mundo num Caderno: Os Urban Sketchers na António Arroio (2017); Portugal – vários locais - Exposição Colectiva Itinerante - (a)Riscar o Património (2015, 2016 e 2017); Museu Bordalo Pinheiro – Lisboa - Exposição Colectiva “Desenhar por aí – A Lisboa de Bordalo Pinheiro (2017); Museu Francisco Tavares Proença - Castelo Branco - Exposição colectiva "Espessura do Tempo - Património  e Paisagem".

Como orador convidado tem participado em várias conferências sobre reabilitação urbana, educação patrimonial e desenho de observação, tanto em Portugal como no Brasil.


Silveira: entre o campo e o mar

A silveira é uma freguesia do município de Torres Vedras, cujo território se divide "entre o campo e o litoral". Ultimamente tenho dedicado parte do meu tempo a conhecer melhor a freguesia onde vivo desde sempre. Pensamos que conhecemos, mas quando começamos a olhar com olhos de ver, percebemos que há uma imensidão de lugares a explorar.
 
Na passada 6ª feira, feriado, fiz uma caminhada, que me habituei a fazer desde muito pequeno, partindo da casa dos meus avós e pais (Boavista), até ao Alto da Vela.
 
A primeira paragem foi o Casal dos Corvos, ou pelo menos o que resta dele. Este casal pertence à família do meu avô há pelo menos 400 anos. Hoje, já não temos qualquer ligação, resta-nos a ligação afectiva. Ver o estado em que se encontra deixa-nos frustrados. Restam-nos as memórias. O poço de água, onde a minha tia-avó Germana tirava água para regar os seus belos jardins e enchia o tanque para lavar a roupa. O poço era um verdadeiro centro comunitário, uma verdadeira festa. Nos dias de calor o tanque transformava-se em piscina. Morreu a tia-avó, morreram as flores, ficam as memórias.
O Curral das ovelhas do tio-avô Joaquim Gigante está à venda. A ruína tomou conta dele. Em tempos foi abrigo de um dos maiores rebanhos da freguesia, cerca de 100 ovelhas e 20 cabras. Em tempos representava vida, hoje a morte, a morte da pastorícia, mas pior que isso, a morte dos últimos pastores do Casal dos Corvos: Joaquim e Germana.
 
 
O Casal dos Corvos, para além do casario tinha um conjunto de terras que se estendia até ao Alto da Vela. As terras também têm nome: Terra da Vinha; Rodelo; Cabeço das Mamas; Poço das Vacas... Parte dessas terras ainda se mantém na família, onde o os meus avós têm um pequeno casal com animais e hortas. A chuva floriu os campos, com cores de uma beleza única e inconfundível. A memória leva-me a viajar no tempo, o tempo em que eu vinha com os meus primos apanhar a espiga, o tempo em que vínhamos brincar por entre os campos de trigo, o tempo das vindimas, o tempo da apanha da batata e o almoço comunitário na fazenda entre proprietários, família, amigos e trabalhadores.
 
 
Com a idade íamos ganhando a confiança dos nosso pais e avós e íamos "conquistando o nosso território". O céu era o limite, neste caso era o Alto da Vela o nosso fruto proibido, pela distância e pelo perigo das arribas. Uma verdadeira aventura. 
 
 
 
Não vos canso mais com esta minha viagem nostálgica.
 
 

terça-feira, 3 de abril de 2018

Óbidos


Arte Déco na arquitectura do sertão brasileiro

A influência da Arte Déco na arquitectura do sertão brasileiro. Acabado de chegar. Obrigado Lia Rossi e José Marconi Bezerra de Souza por se terem lembrado de mim. Parabéns pelo trabalho que têm desenvolvido no (re)conhecimento e salvaguarda do património material e imaterial desse grande Brasil. Quando falham as instituições (públicas e privadas), resta-nos a vontade, o trabalho e muita generosidade de pessoas como vocês, que dão tudo na defesa de ideais.
 
 
 
 

sexta-feira, 30 de março de 2018

Património Discreto

Ontem à tarde, depois de ir ver o mar revolto na Praia Azul, dei de caras com estes dois testemunhos da arquitectura vernácula do oeste: o moinho e o poço de água.
 
Casal Zimbral, um dos casais mais antigos da freguesia da Silveira. Hoje é um lugar com cerca de duas dezenas de casas, mas o casal antigo ainda lá permanece, quase em ruínas, à espera de melhores dias. Junto a ele, à beira do arruamento, um poço de pedra secular, lembrando a vida que ali existiu - homens e animais que ali matavam a sede. Outro aspecto singular que também é frequente encontrar nesta região, são as vedações feitas com canas.
 
 
 
 
Casa Branca, um moinho que ainda se encontra em razoável estado de conservação.
 
 
 
 

quarta-feira, 28 de março de 2018

28 de março, Dia Nacional dos Centros Históricos

4 anos depois...a esperança renova-se


"A construção e a demolição, o avanço e o recuo, estiveram sempre presentes na evolução das urbes. Um centro histórico é como um corpo composto por várias células, onde não podemos dissociar as partes do todo. Mas também não é menos verdade, que qualquer célula necessita de se regenerar. As dinâmicas de desenvolvimento da matriz urbana dos centros históricos e a sua relação com a restante ...cidade, podem e devem contribuir para alcançar soluções inovadoras que promovam a revitalização destas zonas adormecidas através do combate à sua sacralização e consequente “museificação”. Independentemente das ideologias, torna-se quase impossível libertarmo-nos do passado, afinal a sociedade assenta sobre um quadro genético, onde a memória tem uma importância fundamental, e como tal, todo o ser humano, desde a sua nascença, vai assimilando tudo o que o rodeia e isso vai repercutir-se nas suas acções, logo no espaço físico que o envolve diariamente. Como tal, urge um equilíbrio, nesta relação tão delicada entre passado e o futuro, valorizar o passado, sim, mas projectando e promovendo o futuro dos edifícios e dos lugares, logo da sociedade."

André Duarte Baptista, 2014
Comunicação "matriz urbana e identidade do lugar - Centro Histórico de Torres Vedras"
Congresso "O Centro Histórico no Novo Paradigma Urbano"

terça-feira, 27 de março de 2018

"A espessura do tempo" - a exposição


Tive o privilégio de integrar este excelente projeto a convite do Carlos Matos, a quem agradeço profundamente a oportunidade.


"Inaugurou-se hoje no Museu Francisco Tavares Junior, em Castelo Branco, uma Exposição colectiva de pinturas de Sketchers que percorreram todas as Freguesias do Concelho, para contactarem as populações e "retratarem" um pouco do seu património e história, intitulado "A espessura do tempo". Além disso, está também exposto uma pequenina mostra do trabalho do grandíssimo pintor/desenhador Álvaro Canelas, nascido em C. B. em 1901 e falecido em Paris em 1952 (Traços do primeiro Horizonte). Vale a pena visitarem estes fantásticos trabalhos, que estarão expostos até 13 de Maio. Esta é uma Exposição organizada pela Câmara Municipal, através dos Prof. Carlos Semedo e Carlos Matos, que também é autor de muitas destas pinturas!" (Manuel António Almeida)


Depois da residência artística, onde fizemos um rally paper desenhado pelas freguesias rurais de Castelo Branco, segue-se uma bela exposição com os nossos desenhos (cerca de 200).

Parabéns a toda a organização.


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
  

Iniciativa mis recente:




segunda-feira, 26 de março de 2018

Dublin_dia 3 _ parte II


À porta da Guinness Store House. Esta sim, é a verdadeira catedral da cerveja.
O ambiente industrial é inconfundível.
 
 
 
No interior do "museu da cerveja", a cultura é-nos apresentada em estado líquido, servida nos balcões dos pubs. Guinness Store House é uma mistura de museu, centro interpretativo, centro comercial.... Tudo transpira cerveja.
 
 
Mas na verdade, é um verdadeiro centro cultural. Saímos dali a saber a história de uma fábrica/empresa que foi fundada em 1759 pelo Arthur Guinness.
 
A Harpa Irlandesa só foi adoptada como símbolo da empresa no século seguinte, em 1862.
Do que vi, o que mais me impressionou foi, em primeiro lugar os documentários do quotidiano dos trabalhadores no início do século XX. Em segundo lugar, os trabalhos de design gráfico e o merchandising de promoção da empresa pelo mundo inteiro.
 
No último piso, o êxtase total - o Rooftop Bar, com uma vista de 360º sob a cidade, onde não podia faltar a bela cerveja.
 
Para quem não bebe, é fácil distrair-se com as vistas,. Desenhar é que é mais difícil, muita gente e muita gente a olhar para ti e a pensar "mas estes tugas não bebem?"
 
 
 
Depois do calor do Rooftop Bar, o gelo da rua. Ao sair, deparámo-nos com este ambiente nostálgico, onde "quase apanhamos" o Arthur Guinness a entrar na carruagem.
 
 
 

sexta-feira, 23 de março de 2018

4º Encontro Internacional de Desenho de Rua

Podem agendar -  26-28 out. 2018
 

 
Preparem as alfaias, pois vamos voltar à vinha. A edição de 2017 deixou água na boca e um rasto de quintas com paisagens incríveis por visitar.
 
Será, uma vez mais, privilegiado o intercâmbio entre desenhadores de Portugal, Espanha e Brasil, países de origem dos formadores convidados e durante o encontro estão previstas oficinas de desenho, provas de vinhos, tertúlias e apresentações de livros.
 
Esta atividade integra o programa Cidade Europeia do Vinho 2018 | Torres Vedras/Alenquer. Nesse sentido, este ano uma das quintas a visitar será em Alenquer.
 


Organização: Câmara Municipal de Torres Vedras

Em breve será divulgado o programa, formadores, parceiros e condições para participar.


Vão acompanhando as novidades aqui:  http://cm-tvedras.pt/agenda/detalhes/78754/

terça-feira, 20 de março de 2018

Quintas à terça

Este ano, Torres Vedras e Alenquer foram eleitas como Capital Europeia do Vinho, trazendo ao debate um vasto património cultural, material e imaterial. As quintas, pelo papel que tiveram na produção do vinho e na organização do território destes dois municípios, não poderiam ficar de fora.
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 19 de março de 2018

Dublin, dia 3 _ parte I

26 de fevereiro de manhã - 1ª paragem - Rory O'More Bridge
 
 
Ponte de ferro inaugurada no ano de 1861

 
2ª paragem - Sean Heuston Bridge. Esta ponte foi construída em 1827 para permitir que as carruagens de cavalos passassem pelo rio Liffey.
 
 

Pearse Lyons Distillery
 
 

Parish of Saint James
Junto à fábrica da Guiness. A igreja começa a ficar esmagada pela fábrica.
 
 
 

 

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