Olá a todos, uma vez mais, muito obrigado pelo convite para participar como correspondente neste grupo de fantásticos sketchers. O trabalho que vocês têm desenvolvido é merecedor do reconhecimento de todos, em toda a parte do mundo. Portugal não será excepção, nós acompanhamos de forma muito próxima os vossos encontros e os vossos desenhos. Já devem estar fartos de tanto texto acerca deste português, por isso deixo-vos aqui um desenho que assinala uma vez mais o estreitar de relações entre o vosso país e o meu. Para além da língua que nos une (apesar do meu português ser, como vocês gostam de dizer brincando, um português bem castiço), partilhamos outra linguagem e esta universal, O DESENHO. Hoje mesmo, chega a Torres Vedras o sketcher Edward Wandeur, um dos coordenadores do grupo de sketchers de Santo André (SP), que irá ministrar uma oficina de desenho neste evento: (a)Riscar o património. Como vêm, os (re)encontros entre portugueses e brasileiros, vão continuar. Até breve e mais uma vez, muito obrigado pela honra de pertencer a este grupo.
Espaço de reflexão e partilha sobre temas de interesse do autor: arquitectura, património cultural, regeneração urbana, desenho e fotografia. "O amor a todas as coisas é fruto do conhecimento que temos delas, e aumenta à medida que o nosso conhecimento se torna mais preciso." Leonardo Da Vinci
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Obrigado Brasil
Conheça o Correspondente: André Duarte Baptista, de Torres Vedras (Portugal)
http://brasil.urbansketchers.org/2015/09/conheca-os-correspondentes-andre-duarte.HTML
http://brasil.urbansketchers.org/2015/09/conheca-os-correspondentes-andre-duarte.HTML
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| A desenhar com o meu filho Tomás... |
Olá a todos, meu nome é André Duarte Baptista, sou português, nasci em Torres Vedras, uma cidade a norte de Lisboa, (45km), onde vivo e trabalho. Neste momento trabalho como arquiteto na área de planeamento na Câmara Municipal (prefeitura) de Torres Vedras, com especial envolvimento na área de reabilitação urbana. O meu interesse pelo desenho começou desde cedo, no entanto sempre senti que não teria aquilo que muitos chamam de “dom especial” e que só teria sucesso se trabalhasse muito em busca daquilo que qualquer jovem ingénuo procura: A PERFEIÇÃO. Infelizmente deparei-me quase sempre com professores que me levaram a acreditar que a perfeição só se conseguia com a fiel representação de um determinado cenário. Esta busca pela perfeição deixou-me muitas vezes frustrado, afastando-me muitas vezes da paixão que tinha pelo desenho.
No ensino secundário formei-me em Design Gráfico. Durante alguns anos trabalhei como designer gráfico na área da publicidade. Posteriormente inicio a minha actividade na área da construção civil, como desenhador e medidor orçamentista. Em 2007 decidi recuperar um sonho antigo – inscrevi-me no curso de arquitectura na universidade Lusófona, onde tive a sorte de encontrar dois professores que permitiram a minha reconciliação com o desenho de observação, explicando-me aquilo que hoje encaro como óbvio – o desenho é a interpretação que cada observador faz de um determinado espaço – cada observador vê e representa forma única e irrepetível. Fez-se luz e a partir daí nunca mais abandonei o desenho. Foi nos tempos de faculdade, em 2010 que comecei a juntar-me de forma pontual aos urban sketchers de Lisboa, sempre de forma tímida e muito pouco participativa. Mas dessa época o que me marcou mesmo foram os professores Nuno Freire e Sara Antunes e os meus colegas Filipe Oliveira e Luis Martins, dois monstros do desenho. No entanto, a minha referência sempre foi o Eduardo Salavisa, o eterno Desenhador do Quotidiano – desenho em caderno – desenho de observação – desenho sintético – caneta e aguarela.
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| Igreja da Graça, século XVI - Torres Vedras. |
Confesso que nunca gostei de muita cor nos desenhos e limitei-me quase sempre ao uso da caneta. O grafite nunca me seduziu. Uma das coisas que mais me atrai no desenho de observação é a “necessidade” de relação entre desenhador/observador e o objecto/espaço que pretendemos desenhar – profundo e eterno jogo de sedução. Ao perceber os privilégios do desenho no processo de investigação, decidi que seria essa a minha principal ferramenta para a elaboração da minha tese de mestrado – O Lugar como simbiose – Centro Histórico de Torres Vedras. Assim foi, o desenho deu-me a conhecer um centro histórico que eu desconhecia, um centro histórico para lá das praças e dos edifícios. Desenhar obriga-nos a perceber como se compõem e estruturam os elementos que nos rodeiam. Além disso, o jogo de sedução ultrapassa a relação observador-objeto, criando um triângulo amoroso bastante interessante – observador-objetos-público.
Em 2014, iniciei o estágio em regime de part-time, como arquiteto, na Câmara Municipal de Torres Vedras, na Área de Planeamento, com o objectivo de apresentar um plano de revitalização/dinamização do centro Histórico da cidade, procurando a simbiose ente a arte, cultura e património. Assim nasce o evento Cultural “Arte ao Centro”, que contou com o apoio do artista plástico José Ferreira, tendo saído do papel para as ruas do centro histórico da cidade, representadas por sketchers e pintores. Este evento teve como parceiros a autarquia e a Cooperativa de Comunicação e Cultura. Ainda no âmbito do Arte ao Centro, assume a curadoria da exposição @rte ao Centro (CCC), em parceria com Ana Avelino, Catarina Sobreiro e Inês Mourão. Foi ainda curador da exposição do artista plástico brasileiro Lauro Monteiro no seu “Acalanto para Caymmi”, que esteve patente na COISA.
Em Maio de 2014 sou convidado pela Cooperativa de Comunicação e Cultura a criar um grupo de desenho integrado nesta associação: CCC Sketchcrawl Torres Vedras. Desde então, tenho organizado vários encontros de desenho, privilegiando o espaço público e a interacção entre as diferentes idades e classes sociais.
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| Julho 2015 - Paraty (Brasil) - Mercado do Pescador |
Entre 27 de Agosto e 7 de Setembro de 2014 estive em Paraty – RJ – Brasil, onde participei no 5º Simpósio Internacional de Urban Sketching e no 6º Encontro Internacional de Aquarelistas. Participei ainda na IV Semana Fluminense do Património, com duas comunicações: Identidade: Centro Histórico de Torres Vedras e Arte ao Centro – o desenho e os intercâmbios culturais. De 26/08 a 6/09, participei numa exposição conjunta com Lauro Monteiro, no IPHAN: Torres Vedras e Paraty: 2 linhas, 1 caminho.
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| Julho 2015 - Paraty (Brasil) - Mercado do Pescador |
Para mim o desenho é tudo e nada ao mesmo tempo. Não tenho quaisquer pretensões/preocupações artísticas, faço-o de forma descontraída e descomprometida. Apesar de me rever no desenho a “preto e branco”, gosto de experimentar técnicas diferentes, de partilhar experiências com outros desenhadores, novas abordagens, novos olhares sob o mundo. O desenho é para mim uma ferramenta de trabalho, um momento de descontracção, uma forma de registar o mundo que me rodeia. Desenhar tem-me tornado mais rico – mais observador, mais sensível à relação homem/espaço. Por ultimo, mas não menos importante, tem-me oferecido muitos e bons amigos, tanto a nível nacional, como a nível internacional. Todo o projeto Arte ao Centro, que coordeno, tem privilegiado as relações com o Brasil e Espanha, com intercâmbios culturais, tendo o desenho como plataforma de articulação. A relação deste projeto com o Brasil é muito forte e espera-se que venha a crescer cada vez mais. Por isso quando me convidaram para correspondente oficial do Brasil, não escondi a minha enorme satisfação por pertencer a um grupo tão rico ao nível cultural e social. Por isso, a todos o meu obrigado. Podem contar com o meu trabalho e emprenho na valorização do vosso grupo.
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| Agosto 2014 - Paraty (Brasil) |
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| Agosto 2014 - Paraty (Brasil) |
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
Regresso a Paraty - 21 julho 2015
Voltei a Paraty, a convite do Lauro Monteiro e Ricardo Inke para orientar um Workshop de desenho em diário gráfico.
Depois de desenhar a dupla página, como exemplo para o exercício do dia seguinte, saí com o Lauro, Artur e Marta, rumo à Praia da Trindade. A meio caminho parámos para almoçar na roça, no Rancho da Titia. Comida caseira cozinhada no forno de lenha.
Depois do almoço o céu fica negro, ameaçando tempestade tropical. Desistimos da Praia da Trindade e entrámos na mata rumo à Vila Volta, uma "sítio" de 200 hectares, implantado entre duas montanhas, onde fomos recebidos pelos proprietários
Um local paradisíaco, a voltar.....
sábado, 12 de setembro de 2015
uns dias em Tavira I
Caderno artesanal formato A6
caneta preta waterproof .5 stapless
aguarela
Antigo bairro dos pescadores - praia do barril
na estrada de acesso às Pedras Del Rei, encontrei um conjunto de casas abandonadas que continham uma antiga nora, um engenho que vim a encontrar noutros locais em torno de Tavira.
momentos de descontração em família
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
Convento de Varatojo - uma aproximação
Uma manhã de domingo solitária, com sol e desenhos em Varatojo - Torres Vedras
Saio de carro e apanho a EN 9, que me leva todos os dias até Torres Vedras. Aos poucos o monte de Varatojo (a poente do castelo de Torres Vedras), começa a impor-se no horizonte, reclamando a nossa atenção e eis que vislumbramos o Convento de São Francisco de Varatojo, implantado num socalco a meia altura da vertente noroeste do monte. O corpo branco destaca-se a longa distância, no meio da mata que o rodeia e que parece fazer a transição entre o meio urbano e meio rural.
Um pouco mais à frente, corto à direita, rumo a Varatojo. A estrada é estreita e serpenteia no meio de muros, pomares e vinhedos, onde perdemos de vista o edifício religioso. Uns metros à frente, reencontro-me com a fachada norte do convento, que se apresenta de forma austera, depurada de elementos decorativos. A monotonia é interrompida, apenas, pelas fenestrações que permitem a iluminação e arejamento dos aposentos dos monges. A sua dimensão leva-me a refletir sobre a dimensão do edifício, dos cantos e recantos que deve conter e histórias por contar... Deste ponto de vista, o edifício parece levitar sob as videiras cuja folhagem ainda se apresenta num verde bem "fresco e luminoso". Era inevitável, tive de parar e desenhar. As cores nunca saem como eu quero, mas as linhas respeitaram a minha vontade: registar o essencial.
Subo mais um pouco e encontro o Largo na zona sul do edifício, onde estaciono. É assumidamente um espaço de transição e mediação entre o convento e o Lugar - Varatojo. Ao nível morfológico, existe uma alteração brusca, relativamente à zona norte que tinha deixado para trás, fruto da vertente com acentuada inclinação. A norte, uma grande massa construída que se afirma na paisagem, com 3 pisos de altura. A sul, uma estrutura totalmente distinta, "agarrando-se" ao terreno e à envolvente, com uma arquitetura mais complexa e com elementos decorativos, reveladora das transformações sofridas ao longo dos séculos. Ainda associado à morfologia do terreno, aqui os edifícios encontram-se semi-enterrados. A Cruz denuncia a localização da Igreja, mesmo ao meu lado direito. Andtes de sair do carro deparei-me com uma perspetiva interessante de registar. Quando desenho o património, tento que esse exercício não se limite à tentativa de representação de elementos esteticamente interessantes, procuro sobretudo explorar aspectos menos conhecidos, pormenores, estado de conservação ou cicatrizes relevadoras da sua história. Acabo por fazer o desenho anterior, vendo parte da igreja e as coberturas das capelas laterais. Não me recordo de todos, mas penso que a 1ª é a de Nª Srª das Dores (1ª metade do séc. XVIII).
Desço as escadas e reencontro o "irmão porteiro" com uma idade bastante avançada, com uma grande dificuldade em andar, mas nesta casa não pressas. Sorriu, reconhecendo-me e disse-me desenhe à vontade, a casa é sua....
No interior optei por não desenhar o claustro. Numa sociedade onde o ruído bateu todos os recordes, seja ele sonoro ou visual. encontrar um espaço destes é como entrar num túnel do tempo (um túnel bem isolado :-) ) Decidi enfrentar um "velho amigo". desta vez ganhei coragem e desenhei o pórtico manuelino, do séc. XVI, fruto do investimento régio de D. Manuel, a par dos pórticos das igrejas do centro histórico (S. Pedro e S. Tiago) e o pórtico do castelo . Este pórtico assinalava a Capela - Jazigo dos Alcaides-Mores da vila. É uma peça bastante complexa e difícil de "vergar", mas aos poucos...
Para além de dar a conhecer este belo edifício, esta publicação serve para vos convidar a juntarem-se a nó no próximo dia 12 de Setembro para desenhar o Convento de Varatojo. Fiquem descansados, é bem mais bonito do que aquilo que eu desenhei....
sexta-feira, 21 de agosto de 2015
Sketchcrawl Torres Vedras - Património Religioso - Convento de Varatojo
Estão convidados a juntarem-se a nós num espaço fantástico, o Convento de Santo António de Varatojo, monumento nacional, fundado em 1470 por D. Afonso V. Em 1474 é oferecido à comunidade franciscana que o passa a habitar e onde ainda permanece.
Fica situado num monte próximo da cidade de Torres Vedras, no lugar de Varatojo. É um local mágico, pátios corredores, capelas, monges, mata e arte sacra.
Organização: Cooperativa de Comunicação e Cultura
Coordenação: André Duarte Baptista
Parceria com os Urban Sketchers Brasil
Data e Hora: 12 de setembro, pelas 9h30, à porta do convento.
Materiais: tragam materiais que vos estimulem a desenhar
Suporte: gostamos do caderno :-)
Ficamos à vossa espera!!!!
Mais informações: https://www.facebook.com/events/1077561055601959/
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
domingo, 16 de agosto de 2015
15 de Agosto - Dia do Saloio - Santa Cruz - Torres Vedras
Desde 1997, que a Câmara Municipal de Torres Vedras organiza o cortejo etnográfico, conhecido como o Dia do Saloio. Trata-se de uma recriação da "ida à praia" dos habitantes da região saloia, neste caso de Torres Vedras, cuja principal praia era e continua a ser Santa Cruz, palco desta recriação. Os torrienses, sobretudo rurais, vestiam a "roupa do domingo" e iam assim para praia, alguns percorrendo vários quilómetros. Esse transporte era feito a pé ou com o apoio das carroças, puxadas pelas mulas ou pelas juntas de bois. Os mais abastados é que tinham direito a cavalos.
E assim chegavam a Santa Cruz. Prendiam os animas num canto a pastar, libertando-os do peso das carroças que traziam de tudo um pouco: vinho, comida, tachos e panelas... O almoço era feito na praia, onde faziam lume e cozinhavam a comida. Era um dia de festa e de muito convívio, onde o mundo rural chocava com o mundo urbano, sim, urbano, porque Santa Cruz, na 1ª metade do séc. XX atraiu a elite citadina, não só de Torres Vedras, mas sobretudo de Lisboa. No entanto, esta relação foi sempre saudável e muito rica culturalmente.
Hoje é sobretudo uma recriação, que nos ajuda a preservar a memória, juntando várias gerações.
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
Brasil_19 e 20 julho - de santo andré a paraty
19 de julho, domingo - 3º dia de workshop - local - Parque Celso Daniel
Antes do workshop, decidi experimentar a caneta azul Bic. Há muito que não fazia experiências com canetas, tal é a minha devoção pelas Pilot....As esperas pelo Lauro permitiam-me fazer experiências...
o
1º exercício foi lançado pelo Lauro - desenhar a figueira centenária, ou o que resta dela.
sugestões do mestre: pegar numa folha de jornal, rasgar uma parte e colar numa página dupla dos cadernos. 2º passo - desenhar sobre essa página. Confesso que não é a minha praia, mas por respeito ao mestre, encarei o desafio de frente.
o 2º desafio foi lançado por mim -1º - numa página dupla desenha a planta do parque; 2º - desenhar um elemento natural; 3º - um elemento arquitetónico marcante (optei pelas características "caixas de água")
O almoço foi num local fantástico e bastante desenhável - o pilão mineiro. Comida mineira, caseira, feita em forno de lenha - uma delícia. Pena não poder provar tudo. Estes restaurantes têm uma característica particular: enquanto comemos, temos sempre um chefe de sala ao nosso lado - muito parecido com os restaurantes chiques, onde só falta que comam por nós. A diferença é que aqui o que eles querem é que comamos mais e mais... Eu avisei o sr. Isidoro que ainda estou a treinar o desenho de pessoas, mas ele insistiu dizendo: "mais feio do que o real, impossível". uma simpatia
À porta do parque Celso Daniel encontrei estes dois elementos marcantes que fazem parte da identidade brasileira: o vendedor de sorvetes e o orelhão. O Sr. Gilmar até me ofereceu um sorvete. Isto de desenhar pessoas nem é assim tão mau quanto parece...
O dia foi cansativo, mas muito produtivo. À noite, à porta do hotel deparo-me com um cenário que se repete por toda a cidade: o muro de cabos de eletricidade. Além da poluição visual, são uma verdadeira ameaça à segurança das pessoas. Alguns deles chegam a tocar-nos na cabeça. Sem comentários...
2ª Feira, dia 20 de julho - Rumo a Paraty - esperavam-nos 5 horas de viagem de automóvel. O Lauro pergunta-me "preparado ?" "é que esta estrada é do pior que há". 1ª paragem - São Luíz de Paraitinga, a "terra do Saci", a 182km de São Paulo. Para quem não se lembra o Saci é aquilo menino negro do Sitio do Picapau Amarelo. Um menino que vivia na floresta, tinha apenas uma perna e fumava cachimbo. Quando aparecia era apenas para pregar partidas.
Ao fim de algumas horas de viagem começo a perceber as palavras do Lauro. A estrada é infernal, com curvas super apertadas e inclinadas, dando a sensação que os carros vão chocar uns com os outros. Mas a paisagem da mata atlântica é fantástica, além disso era por uma boa causa: regressar a Paraty e rever amigos. Quando chegámos não houve forças para desenhos...
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Brasil_2015_18 julho
"Café da manhã" no hotel Plaza Mayor. A experimentar caneta nova. Não gostei do resultado... Aproveitámos sempre estes momentos para definir a estratégia e conteúdo das oficinas, adaptando sempre ao local e ao público/participantes
À esquerda o taxista Jurandir, à direita o Lauro. Jurandir vive em Santo André há 43 anos, como tal tem opinião formada para qualquer assunto: política, urbanismo, arte, futebol...etc...
Destino: Sesc
Do Sesc, o grupo foi de "micrônibus" até ao centro da cidade, ondeeu lancei o 1º exercício.
Quando aceitei este desafio, aceitei sobretudo por se tratar de um grupo composto essencialmente por desenhadores que estão a dar os primeiros passos com o desenho em diario grafico. Por essa razão, tentei lançar um exercício que não assustasse os participantes, fugindo às perspetivas complicadas e à composição gráfica clássica. A resposta foi surpreendente e a interação da população foi fantástica, conseguido atrair uma criança de rua a participar.
1º Exercício na Praça do Carmo. Tendo em conta a inexperiência dos participantes, optei por pedir-lhes para desenhar uma lanchonete, aparentemente mais fácil de representar. Além disso, permitiu-me passar a mensagem: Património não são apenas os edifícios eruditos, são sobretudo pessoas e costumes. Juntou-se ao grupo um "moleque de rua" que fez o seu primeiro desenho, fantástico diga-se de passagem.
A interação com a população foi surpreendente, ao ponto das funcionárias da lanchonete virem oferecer-nos rodelas de linguiça no churrasco...
Exercício em dupla página:
1º detalhe
2º detalhe e uma "fachada"
3º um breve texto resultante da conversa com os funcionários
4º do detalhe à envolvente
Almoçámos perto da Praça do Carmo, no restaurante Bom Apetite, um espaço interessante, com comida a peso e o mais importante: Higiene, qualidade difícil de encontrar. A sujidade dos espaços públicos e privados, foram das coisas que mais me marcaram. À porta do restaurante temos esta bela anfitriã, uma bela baiana (de madeira).
À tarde fomos para o Paço Municipal, av. Portugal, onde o Lauro lançou o seu 1º exercício: sketch com colagem
aqui fica a minha tentativa com colagens...
A escultura vermelha é de Luíz Sacilotto, artista natural de Santo André
O edifício do Paço municipal (década de 1960), é uma peça arquitetónica bastante interessante de "concreto" à vista.
No final do dia voltámos ao Sesc.
Na "comedoria" com Lauro e Márcia. Um espaço interessante, com muita luz, muita animação e preços acessíveis. No rodapé do desenho, uma fita adesiva gentilmente cedida pela Márcia, artista plástica e professora. Uma simpatia, muito culta e com muita criatividade.
Jantar no Paulão, com Lauro e Edward, um arquiteto que reside e trabalha em Santo André. Este estabelecimento está aberto desde 1977, por isso faz parte do património desta cidade. A especialidade são as gigantescas sandes com 20 pisos de altura: muita carne, queijo, salada...etc...tudo "embrulhado" em pão caseiro, feito pelo padeiro aqui representado neste desenho. Este jantar/reunião foi bastante produtivo, com muitos projetos a unir Portugal e Brasil.
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