quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Obrigado Brasil

Conheça o Correspondente: André Duarte Baptista, de Torres Vedras (Portugal)
http://brasil.urbansketchers.org/2015/09/conheca-os-correspondentes-andre-duarte.HTML

A desenhar com o meu filho Tomás...
Olá a todos, meu nome é André Duarte Baptista, sou português, nasci em Torres Vedras, uma cidade a norte de Lisboa, (45km), onde vivo e trabalho. Neste momento trabalho como arquiteto na área de planeamento na Câmara Municipal (prefeitura) de Torres Vedras, com especial envolvimento na área de reabilitação urbana. O meu interesse pelo desenho começou desde cedo, no entanto sempre senti que não teria aquilo que muitos chamam de “dom especial” e que só teria sucesso se trabalhasse muito em busca daquilo que qualquer jovem ingénuo procura: A PERFEIÇÃO. Infelizmente deparei-me quase sempre com professores que me levaram a acreditar que a perfeição só se conseguia com a fiel representação de um determinado cenário. Esta busca pela perfeição deixou-me muitas vezes frustrado, afastando-me muitas vezes da paixão que tinha pelo desenho. 

No ensino secundário formei-me em Design Gráfico. Durante alguns anos trabalhei como designer gráfico na área da publicidade. Posteriormente inicio a minha actividade na área da construção civil, como desenhador e medidor orçamentista. Em 2007 decidi recuperar um sonho antigo – inscrevi-me no curso de arquitectura na universidade Lusófona, onde tive a sorte de encontrar dois professores que permitiram a minha reconciliação com o desenho de observação, explicando-me aquilo que hoje encaro como óbvio – o desenho é a interpretação que cada observador faz de um determinado espaço – cada observador vê e representa forma única e irrepetível. Fez-se luz e a partir daí nunca mais abandonei o desenho. Foi nos tempos de faculdade, em 2010 que comecei a juntar-me de forma pontual aos urban sketchers de Lisboa, sempre de forma tímida e muito pouco participativa. Mas dessa época o que me marcou mesmo foram os professores Nuno Freire e Sara Antunes e os meus colegas Filipe Oliveira e Luis Martins, dois monstros do desenho. No entanto, a minha referência sempre foi o Eduardo Salavisa, o eterno Desenhador do Quotidiano – desenho em caderno – desenho de observação – desenho sintético – caneta e aguarela.

Igreja da Graça, século XVI - Torres Vedras.

Confesso que nunca gostei de muita cor nos desenhos e limitei-me quase sempre ao uso da caneta. O grafite nunca me seduziu. Uma das coisas que mais me atrai no desenho de observação é a “necessidade” de relação entre desenhador/observador e o objecto/espaço que pretendemos desenhar – profundo e eterno jogo de sedução. Ao perceber os privilégios do desenho no processo de investigação, decidi que seria essa a minha principal ferramenta para a elaboração da minha tese de mestrado – O Lugar como simbiose – Centro Histórico de Torres Vedras. Assim foi, o desenho deu-me a conhecer um centro histórico que eu desconhecia, um centro histórico para lá das praças e dos edifícios. Desenhar obriga-nos a perceber como se compõem e estruturam os elementos que nos rodeiam. Além disso, o jogo de sedução ultrapassa a relação observador-objeto, criando um triângulo amoroso bastante interessante – observador-objetos-público.







Em 2014, iniciei o estágio em regime de part-time, como arquiteto, na Câmara Municipal de Torres Vedras, na Área de Planeamento, com o objectivo de apresentar um plano de revitalização/dinamização do centro Histórico da cidade, procurando a simbiose ente a arte, cultura e património. Assim nasce o evento Cultural “Arte ao Centro”, que contou com o apoio do artista plástico José Ferreira, tendo saído do papel para as ruas do centro histórico da cidade, representadas por sketchers e pintores. Este evento teve como parceiros a autarquia e a Cooperativa de Comunicação e Cultura. Ainda no âmbito do Arte ao Centro, assume a curadoria da exposição @rte ao Centro (CCC), em parceria com Ana Avelino, Catarina Sobreiro e Inês Mourão. Foi ainda curador da exposição do artista plástico brasileiro Lauro Monteiro no seu “Acalanto para Caymmi”, que esteve patente na COISA. 



Em Maio de 2014 sou convidado pela Cooperativa de Comunicação e Cultura a criar um grupo de desenho integrado nesta associação: CCC Sketchcrawl Torres Vedras. Desde então, tenho organizado vários encontros de desenho, privilegiando o espaço público e a interacção entre as diferentes idades e classes sociais.

Julho 2015 - Paraty (Brasil) - Mercado do Pescador

Entre 27 de Agosto e 7 de Setembro de 2014 estive em Paraty – RJ – Brasil, onde participei no 5º Simpósio Internacional de Urban Sketching e no 6º Encontro Internacional de Aquarelistas. Participei ainda na IV Semana Fluminense do Património, com duas comunicações: Identidade: Centro Histórico de Torres Vedras e Arte ao Centro – o desenho e os intercâmbios culturais. De 26/08 a 6/09, participei numa exposição conjunta com Lauro Monteiro, no IPHAN: Torres Vedras e Paraty: 2 linhas, 1 caminho.


Julho 2015 - Paraty (Brasil) - Mercado do Pescador

Para mim o desenho é tudo e nada ao mesmo tempo. Não tenho quaisquer pretensões/preocupações artísticas, faço-o de forma descontraída e descomprometida. Apesar de me rever no desenho a “preto e branco”, gosto de experimentar técnicas diferentes, de partilhar experiências com outros desenhadores, novas abordagens, novos olhares sob o mundo. O desenho é para mim uma ferramenta de trabalho, um momento de descontracção, uma forma de registar o mundo que me rodeia. Desenhar tem-me tornado mais rico – mais observador, mais sensível à relação homem/espaço. Por ultimo, mas não menos importante, tem-me oferecido muitos e bons amigos, tanto a nível nacional, como a nível internacional. Todo o projeto Arte ao Centro, que coordeno, tem privilegiado as relações com o Brasil e Espanha, com intercâmbios culturais, tendo o desenho como plataforma de articulação. A relação deste projeto com o Brasil é muito forte e espera-se que venha a crescer cada vez mais. Por isso quando me convidaram para correspondente oficial do Brasil, não escondi a minha enorme satisfação por pertencer a um grupo tão rico ao nível cultural e social. Por isso, a todos o meu obrigado. Podem contar com o meu trabalho e emprenho na valorização do vosso grupo.


Agosto 2014 - Paraty (Brasil)

Agosto 2014 - Paraty (Brasil)

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