terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Caminhada Ilustrada - Cucos

25 de janeiro | 9h30 | Antigas Termas dos Cucos - Torres Vedras Vamos iniciar uma série de oficinas de desenho, que visam associar arte e lazer - o desenho associado a caminhadas por locais de valor cultural, ambiental e paisagístico. Estas atividades serão coordenadas por mim, André Duarte Baptista, mas está prevista a participação de outros desenhadores. Na primeira sessão contamos com o Filipe Reis Oliveira. Juntos vamos explorar o potencial da Linha. Propõe-se um percurso com várias paragens para o registo dos  elementos mais significativos, desde edifícios, ruínas, ou elementos naturais. No final, está previsto um piquenique, onde partilharemos desenhos e experiências.

Objetivos: Esta atividade pretende estimular o gosto pelo desenho de viagem, um desenho mais rápido e sintético, acompanhado por pequenos apontamentos escritos, fruto da relação entre observador/desenhador e o lugar. Ilustrar o percurso que vamos fazendo durante a caminhada. Vamos encontrar elementos naturais, como a serra, as plantas, o rio, as árvores, o jardim romântico do séc. XIX, mas também edifícios imponentes como as antigas termas dos cucos, ou ruínas: forno de cal e duas azenhas.

Público-alvo: a partir dos 8 anos, com ou sem experiência no desenho.

Material necessário: Opcional, mas vamos privilegiar o caderno e materiais riscadores, como grafite, aguarela, canetas ou lápis de cor.

Recomendações: O percurso é curto e acessível (máximo de 5Km), no entanto recomendamos o uso de roupa e calçado adequados a caminhadas.

Valor: 10€

Notas:
A organização não se responsabiliza por qualquer acidente.
Relativamente ao piquenique, cada um pode levar o seu almoço ou partilhar. O objetivo é promovermos mais um momento de partilha e possibilitar que a ação se prolongue pela tarde (opcional).

Mais informações: lugareforma@gmail.com Acompanhar o evento nas redes sociais

Novo logotipo


quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

De Monte Redondo, à Loubagueira


De Monte Redondo, à Loubagueira

15 Km de caminhada ilustrada


9:00


De regresso a Torres Vedras, volto a escolher as aldeias do meu concelho para as caminhadas ilustradas. 
Desta vez optei pela freguesia de Maxial e Monte Redondo, localizado na zona nascente do concelho. Iniciei junto ao cemitério de Monte Redondo, entrando por uma zona de eucaliptos rumo à Quinta das Lapas. Passados alguns quilómetros verifico uma alteração na paisagem - o abate de alguns hectares de eucalipto. Nada a lamentar, apenas o facto de já estar prevista a replantação  desta espécie. Mas estas alterações, na maioria dos casos, permitem-nos fazer novas descobertas - num monte na zona poente da quinta das Lapas surgiu uma antiga atalaia, que há muito andava desaparecida. Não desenhei logo esta estrutura, deixando para mais tarde. A primeira "paragem técnica" foi junto a um casa em ruínas. Atualmente é conhecido como casal Pingue, no entanto, na cartografia do Filipe Folque, da década de 1850, aparece como Casal Victorino. 

Apesar de apresentar uma dimensão razoável para um casal, a área destinada à habitação é bastante diminuta, apresentando apenas 4 divisões, pois dava-se mais importância às instalações que garantiam o sustento das famílias. Entrava-se pela sala, que assumia sobretudo o papel de zona de circulação de acesso à cozinha e ao quarto principal. Todas as divisões tinham uma pequena janela com enquadramentos dignos de um postal, mas naquela altura a preocupação era outra - a orientação solar e a ventilação. As vistas bonitas era coisa de ricos. A única divisão que não tinha janela, era o chamado quarto dos fundos, com uma área bastante reduzida, cujo acesso era feito através da cozinha, por onde também se acedia ao celeiro. Esta porta denúncia a importância do celeiro, pois a porta de madeira de duas folhas "carrega" duas cruzes pontadas a preto, para que as colheitas fossem abençoadas. A cozinha ainda tem parte do forno, assim como uma bancada com alguns objetos do quotidiano da última família que ali habitará: um porta moedas, algum talher e até alguns brinquedos de crianças. O celeiro, que também tinha uma porta virada para o logradouro a sul, por onde entravam as colheitas, é maior que toda a habitação, assim como a adega, localizada na zona norte da edificação, cujo acesso era feito pelo interior do celeiro, ou pelo exterior, por uma porta de "grande dimensão" orientada a poente. A adega ainda conta com um lagar e respectivo fuso, assim como dois depósitos de betão. No desenho abaixo, regista-se fachada principal, que nos revela que nesta zona o material utilizado com maior frequência era a pedra, em detrimento do Adobe. A explicação é simples - proximidade às serras. Deixo-vos ainda uma planta esquemática do conjunto edificado.



Rumo no sentido da Quinta das lapas. A meio caminho, faço alguns registos da ruína da atalaia e da antiga capela da quinta. 





O último desenho apresenta-nos a quinta das lapas. O frontão neoclássico é da nova capela. Já fiz vários desenhos da quinta, por essa razão, opto por não me perder novamente com a riqueza deste conjunto arquitectónico, dando prioridade a um elemento menos conhecido - a mina de água que alimentava à quinta, localizada no topo nascente da quinta, numa cota elevada, junto à localidade de Lapas Grandes (1° desenho abaixo).


Sigo caminho rumo aos moinhos eólicos no topo da serra. Nova paragem técnica, aproveitando para contemplar a paisagem. Estou num dos pontos mais elevados do concelho. Daqui avisto a cidade com o seu castelo e o forte de São Vicente, mas também Varatojo. A norte tenho a Loubagueira, Maxial e  Campelos. 
Sigo caminho rumo à Loubagueira, mas sem antes de subir a um novo monte sobranceiro a essa aldeia. Junto aos moinhos, encontro à ruína de um antigo moinho, que foi aproveitada como base para um marco geodésico. Caminho alguns quilómetros no topo da serra, onde encontro uma Torre de controlo para o combate aos incêndios, com uma vista de 360º sobre todo o concelho. Não deixa de ser curioso, que esta torre também tenha sido implanta em cima  da fundação de um antigo moinho.


Desço pelo interior de um novo eucaliptal e eis que entro na Loubagueira implantada numa elevação. Ao fundo,  a capela, construída no séc. XX, apresentando uma arquitetura muito estranha. Caminho junto a uma ribeira num pequeno vale encaixado entre o o monte e a aldeia. Volto a subir e encontro às últimas casas. Entro num novo eucaliptal, caminhando por alguns caminhos por onde andam apenas tractores e outras máquinas associadas à produção destas árvores. Pelo meio encontro uma estrutura construída que terá servido como torre de controlo no combate aos incêndios. Cruzo-me com a estrada vai para Monte Redondo, que já foi sede de freguesia. Hoje integra a União de Freguesias de Maxial e Monte Redondo. Ao fundo, a igreja que se destaca no meio do casario. Viro à direita, rumo ao cemitério que fica fora do lugar. Termino onde comecei, mas sem antes ter encontrado uma nova construção, que também desconhecia a sua existência - um antigo forno de cal, encaixado no monte e camuflado pelas canas. A estrutura principal mantém-se intacta tendo perdido apenas a cúpula, que funcionava também como chaminé e o telheiro frontal , conforme desenho abaixo .


Caminhar e desenhar dá-nos um tempo diferente, um tempo longo, que nos permite interagir com os lugares e pessoas, e treinar o olhar, um olhar que já não se limita a olhar, mas sim a VER.

Trilho completo com fotos, AQUI

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

1º do ano de 2020

De Porto Côvo, à albufeira da barragem de Morgavel
18,5 Km de paisagens inigualáveis

Porto Côvo - Sines
9:00

Apesar de ter sido noite de passagem de ano, voltei a acordar cedo e aproveitei para dar as boas vindas ao novo ano com uma nova caminhada de 18,5 km.
Após várias dias a explorar a costa de Porto Côvo, senti vontade de conhecer o seu interior.

Parti rumo à Albufeira da barragem de Morgavel. Meti-me pela estrada do parque de campismo, seguindo-se um trilho de terra batida que atravessa a Herdade das Várzeas. Este trilho é magnífico, pois a nascente temos uma planície, onde ao longe avistamos as serras e os moinhos eólicos. A poente, logo após a planície verdejante, vislumbra-se o oceano ponteado pelos navios de carga que aguardam entrada no Porto de Sines. A minha única companhia são as vacas que começam a pastar logo após os primeiros raios de sol. Não se vê vivalma. Silêncio, quebrado apenas pelo mugido das vacas, o cantar dos galos e o ladrar dos cães. 

Chego à Herdade, um conjunto de casas térreas, cuja quantidade de portas e carros estacionados no exterior denunciam mais um Alojamento Local. Terminado o trilho da herdade das várzeas, sigo por um caminho rural, onde volto a encontrar um monte (1º desenho abaixo). Mais à frente, cruzo-me com a estrada municipal nº 554, mas continuo por terra batida no sentido nascente, numa zona de montado e eucaliptal. 
Pelo caminho encontro um monte abandonado, uma imagem bucólica que tinha de ser desenhada (2º desenho abaixo).

Uns quilómetros à frente e nova estrada (N-120-4), que volto a evitar. Pelo caminho encontro rasto de javalis. Mais à frente, vislumbra-se a barragem (3º desenho abaixo), e sente-se nos ossos - a humidade e o frio. À volta da barragem encontramos várias árvores de grande porte que abrigam várias autocaravanas. A cota da água é baixa, muito baixa, o que nos permite caminhar junto às bermas.


Um agradável passeio e uma bela paisagem manchada apenas pelas chaminés da central termoelétrica de Sines. Está na hora de voltar sentido a casa, mas por outro caminho. Parti para poente, rumo à costa, passando por um antigo monte, também este abandonado (1º desenho abaixo). Sem querer, pus-me a imaginar o potencial destes espaços. O que poderia ser feito. O tipo de usos...etc... Defeito de formação.... 
Cruzo-me novamente com estrada nacional 120-4, mas opto pelo caminho rural que vai em direção ao mar. Os barcos continuam lá, à espera de vez. À direita vislumbra-se a praia de São Torpes, a central, e o porto de Sines. À esquerda sou seduzido por uma barraca de madeira e chapa metálica que tem o oceano como pano de fundo (2º desenho abaixo).

Chego à praia da Oliveirinha (1º desenho abaixo), rumo ao sul, sempre junto ao mar. Ao fundo a ilha do pessegueiro. A paisagem é esmagadora. Cada passo que damos, há sempre uma nova surpresa. As rochas são todas diferentes, dando um efeito policromáticos que carateriza a Costa vicentina. 


Mais uns quilómetros e chego a Porto Côvo. Final de viagem. Amanhã há mais 

Desenho feito ao final da tarde - capela




Trilho completo AQUI.



terça-feira, 15 de outubro de 2019

Pequena Rota 3 Lapas Grandes, parcialmente ilustrada

15Km de paisagens rurais de uma beleza singular que vale a pena conhecer. Matacães, Lapas Grandes, Monte Redondo, Serra São Julião, Nossa Senhora da Glória, Sevilheira, Ribeira de Matacães e novamente Matacães




segunda-feira, 14 de outubro de 2019

(a) Riscar o Património 2019 - Parte 2

Antes do almoço, a fotografia de grupo, com o sr. Presidente da Câmara, Carlos Bernardes e o Vereador do Urbanismo, Bruno Ferreira.
 
 
Regressámos e tive que voltar à Capela do Espírito Santo.
 
Novo enquadramento da capela. Aqui registo uma história que ficará sempre na linha memória. Estava a desenhar com o meu amigo António António Manuel Latino Tavares, que partilhou comigo que tinha estado a desenhar esta capela, neste mesmo local, na década de 1960, quando frequentava o curso de arquitectura. Dias depois mostrou-me o desenho, onde pude verificar as diferenças. Uma feliz coincidência.
 

 
 O sol começa a pôr-se, mas ninguém quer sair deste largo.

 
Temos que regressar à cidade, mas ainda há tempo para um ultimo registo. Abaixo, o desenho feito no recém inaugurado Quiosque Alfazema, no parque do Choupal, onde assistimos a um concerto intimista da brasileira Carolina Zingler. Mais um belo a riscar o património, reforçando assim o nosso compromisso na valorização e salvaguarda do património cultural torriense. Obrigado a todos os participantes.
 
 


sexta-feira, 11 de outubro de 2019

(a) Riscar o Património 2019 - Parte I

Entre os "pingos da chuva" lá vão saindo uns desenhos. O meu contributo (possível) desenhado, num dia inesquecível passado na Vila do Turcifal, Torres Vedras


Começamos no núcleo antigo do Turcifal, onde fomos recebidos pelo presidente de junta de freguesia do Turcifal. Depois do início dos trabalhos, voltei para registar este enquadramento da Igreja.

Junto à igreja decidi fazer uma composição que resultasse na Simbiose entre a arquitectura erudita e a arquitectura vernacular. Tenho sempre muita dificuldade em decidir qual a mais bela.

Gosto, cada vez mais, de explorar os enquadramentos menos óbvios dos edifícios, como as traseiras dos ditos, cuja aparente simplicidade me atraem cada vez mais, sobretudo a relação de volumes e o jogo de sombras. De seguida decidi entrar pelo coração do lugar, onde o comércio continua a ter algum peso.

É impossível ficar indiferente a este largo, pela escala, pela vida quotidiana, pelas cores das casas e claro pela capela de uma beleza singular. Mas o melhor, são as conversas dos moradores que podemos registar na memória.

Publicação em destaque

Nota Biográfica

André Duarte Baptista, arquiteto, nasce em 1980 na cidade de Torres Vedras, onde reside e trabalha. Em 2013, obtém o grau mestre em arqui...