quarta-feira, 21 de junho de 2017

Porto_ dia II

Saímos cedo do Hotel, descemos a rua de Fernandes Tomás e passámos pelo Mercado do Bolhão. Entrámos e percorremos as bancas. Metade do mercado está preenchido por andaimes, anunciando obras. Os manjericos estavam em maioria. Os pregões já não são o que eram. Tudo muito calmo, talvez calmo demais...
Saímos e seguimos até à Rua da Trindade. Um café na explanada do Terrace bar, com vista para a fachada lateral da Igreja da Santíssima Trindade.
 
 
Café tomado, descemos pela Rua da Trindade, até aos Aliados. Lá está a Câmara Municipal a fazer-se ao desenho. Está calor, muito calor, uma boa desculpa para parar à sombra (e desenhar). 
Descemos a Av. dos Aliados e subimos rumo à Torre dos Clérigos, onde fizemos a nossa 1ª visita ao interior, incluindo a subida à Torre. A Igreja é de uma beleza incrível. Tivemos sorte, pudemos ouvir o órgão de tubos a ser tocado. A subida à Torre é atribulada - espera e exiguidade do espaço, mas vale cada degrau que temos de subir. A vista panorâmica sobre a cidade é de uma beleza indiscritível.
 
 
Saímos cansados, mas de alma cheia. Ao lado da Torre, temos um "ser estranho" que parece ter caído de para-quedas - a praça dos Clérigos (recuso-me a classificar esta intervenção). Mas como que a pedir-nos perdão pelo atentado urbanístico, eis que nos deparamos com uma pérola - a livraria Lello. Já se paga para entrar, mas podemos converter o custo do bilhete em livros. A vantagem é que já se pode tirar fotografias. Fiquei-me pelo desenho, um cliché - a escada.
 
 
Depois de um tour pela cidade, parámos junto ao Mercado Ferreira Borges. O Jardim do Infante Dom Henrique está repleto de famílias que gozam os últimos raios de sol. Ao lado o imponente Palácio da Bolsa. Lá em baixo, através da Rua da Alfândega vislumbra-se o Douro e a azáfama dos turistas na frente ribeirinha.
 
 
Apesar do cansaço, não resistimos e descemos, rumo ao rio. Decidimos fazer o ultimo passeio de barco do dia. Enquanto esperamos cá fora, aproveito para registar a Praça da Ribeira. No barco, ainda há forças para um último desenho. Amanhã há mais....
 
 
 

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Porto Sentido_dia 1

4 dias no Porto, muito passeio e muitos desenhos.
 
A maioria dos desenhos foram feitos ao ritmo que mais gosto. rabiscos rápidos no momento. As cores foram na sua maioria, aplicadas à noite já no hotel.
 
Ficámos no hotel S. José, na esquina entre a Rua da Alegria e a Rua de Fernandes Tomás, onde se encontram as primeiras "vítimas" do meu olhar:
 
à esquerda, a Capela das Almas de Santa Catarina, cuja fachada principal fica orientada para a famosa Rua de Santa Catarina.  A construção inicial data do início do séc. XIX. As fachadas são todas revestidas a azulejo (1929), produzidos pela fábrica Viúva Lamego.
 
à direita, parte da fachada do mercado do Bolhão, a partir da rua. À tarde está praticamente encerrado, pelo menos o interior. A visita fica para o dia seguinte. O desenho é feito na Rua formosa. Atrás de mim fica a antiga mercearia do Bolhão e a Pérola do Bolhão, que ainda mantêm as montras antigas, em madeira, tal como o seu interior.
 
 
Entro novamente na Rua Santa Catarina, cheia de esplanadas, tendas (artesanato e chapéus) e claro, muitos turistas. A voz mais falada é o português, mas o português adocicado dos brasileiros.
 
Ao fundo da Rua, deparamo-nos com um dos ex-líbris da cidade - o Café Majestic, inaugurado no ano de 1921, nessa altura ainda com o nome de "Elite". Trata-se de uma obra de autor, do arq. João Queiroz, ao estilo da Arte Novo, construído em plena Belle Époque. Esta rua era a zona mais central da cidade, para onde convergia a elite portuense. Este espaço era mais do que um café, era um espaço de tertúlias de políticos e pensadores, de artistas e poetas. A fachada e o interior ainda mantém a identidade, quanto ao público, hoje a sua maioria são turistas, que ali se sentam, não tanto pelo que comem e bebem, mas sim pelas selfies e pela possibilidade de dizerem "eu sentei-me no Majestic". Ficámo-nos pela rua...
 
Descemos a R. 31 de janeiro até à Estação de São Bento. Rua (muito inclinada), que junta peões,  automóveis e ainda o elétrico. E funciona tão bem.. Ao longe, no alto, vislumbra-se a Torre dos Clérigos, que nos pisca o olho, mas tem de ficar para mais tarde. O mesmo aconteceu com a Estação de São Bento e a Igreja de Santo António dos Congregados, também ela toda revestida a azulejos.
 
Subimos a Av. Dom Afonso Henriques, sentido à Sé do Porto. Na zona frontal da Sé, um verdadeiro miradouro sob o Douro, uma vista de cortar a respiração. Não há tempo para "panorâmicas), concentro-me na Sé e a sua relação com o "torreão" (esq.) do arq. Fernando Távora. Trata-se da famosa "Casa da Câmara/Casa dos 24", integrada no plano de abertura do terreiro da Sé. Esta peça arquitetónica assume-se como um manifesto, sobre a necessidade de relação entre o moderno e o antigo, entre arquitetura e o Lugar.
 
 
Descemos pela rua de Dom Hugo, antiga Rua Escura, como o lembra o antigo chafariz com o mesmo nome. As escadas vão dar à ao Largo do Colégio, onde se encontra a Igreja de São Lourenço / "Grilos" (em obras).  Seguimos pela estreita e pitoresca Rua da Bandeira, enfeitada para o S. João. Várias casas reabilitadas para alojamento local. A boa notícia é que ainda tem muitos moradores portuenses de gema. Esta rua desemboca da Rua da Bainharia. Passada a travessa com mesmo nome, entramos na rua de S. João, mais uma rua bem inclinada. Aqui a vista é desafogada - lá em baixo a Praça da Ribeira e melhor que tudo, o Douro que nos chama.
 
A praça está cheia, uma verdadeira confusão: esplanadas, turistas, automóveis, pontos de turismo (passeios de bus e de barco), artistas de rua. A vista sob o rio compensa tudo. À nossa esquerda, a secular ponte D. Luís que neste momento está  ser beijada pelo sol, em jeito de despedida.
 
Percorremos a frente ribeirinha, até à ponte. Sentados na esplanada do Bar Ponte Stencil, o desenho era inevitável.  A ponte, os barcos turísticos e o reboliço em torno dos jovens que se atiram da ponte e se banham no rio. Um fim de tarde inesquecível, vindo à memória música do Rui Veloso:
 
" Quem vem e atravessa o rio
Junto à serra do Pilar
vê um velho casario
que se estende até ao mar

Quem te vê ao vir da ponte
és cascata são-joanina
erigida sobre um monte
no meio da neblina. (...)"
 
No regresso ao Hotel, uma nova abordagem à ponte.
Ainda houve coragem para entrar na Estação e registar o momento.
 
 
 
 

domingo, 18 de junho de 2017

Estivémos lá...


PoSk - Porto Sketchers - Bairro do Barredo


4 dias no Porto, permitiram a participação no 19º Encontro dos PoSk, grupo de skechers que comemora um ano de vida, precisamente hoje (dia 18). Por isso abro uma excepção -  Os outros desenhos vão esperar, publico agora aqueles que foram feitos com um grupo de pessoas do melhor que há.
 
 
 
 
 
 
 
Um ano depois relembro a conversa que tive com o Armando sobre os grupos de desenho, sobre as dinâmicas, sobre a importância de haver um elemento catalisador, que dinamize, que insista e persista, atraindo cada vez mais participantes. O Armando, de "pseudónimo Abnose", é uma caixinha de surpresas. Um ano depois, os resultados falam por si. Parabéns e obrigado pela recepção. Vamos voltar
 
 
Desenhos do meu filho Tomás
 
 
 
 
 
 
 
 

domingo, 11 de junho de 2017

despovoamento, campo e cidades

Na passada 4ª feira, um excelente programa na RTP 3. Recomendo a todos os que se preocupam com temas tão actuais, como o despovoamento do interior e as assimetrias entre o litoral e o interior. 

 

Do campo para as cidades

PROGRAMA 05  
7 JUNHO 2017
22H
Carlos Daniel com: Augusto Mateus, Nuno Ferreira da Cruz, Álvaro Domingues e Ana Paula Rafael
 
"A cada semana, três milhões de pessoas em todo o mundo mudam-se para as cidades.
As estimativas das Nações Unidas mostram a velocidade com que o globo se torna cada vez mais urbano. Neste momento, metade da população do planeta já vive em cidades. Em 2030 esse valor atingirá os 60%.
As mega cidades com mais de 10 milhões de habitantes, o equivalente a toda a população portuguesa, vão continuar a crescer sobretudo na Ásia, China, em África ou na Índia. E na Europa envelhecida a urbanização também se acentuará.
Portugal não escapa à tendência. No país, o interior murcha com a população a concentrar-se num litoral cada vez mais povoado. Calcula-se que em 2040, quase 80% dos portugueses viverão ao longo da faixa junto ao mar.
Como será a vida nas nossas cidades? E que papel terão as cidades do interior? Como poderão manter habitantes e atrair pessoas mais jovens? Como criarão emprego e o que podem oferecer?"

 

Silveira, entre a terra e o mar

 
 
 

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Depois da tempestade, um raio de sol

Lisboa | 7 junho
 
Sala de espera do Instituto Português de Reumatologia (esq)
Um antigo pátio coberto por uma claraboia, transformado numa sala de espera. É como se estivéssemos a ser observados por todo o lado. Foi a minha 1ª vez. Quando cheguei fiquei preocupado pelo estado de conservação do edifício. Quando saí, vejo reforçado o pensamento: O que faz as instituições não são os edifícios, mas as pessoas que lá trabalham. Pessoas incríveis que compensam todos os constrangimentos das instalações.
 
Depois da tempestade, um raio de sol - final de tarde na Gulbenkian
 
 
 
Um café no centro interpretativo Gonçalo Ribeiro Telles
De regresso ao carro, "obriguei-me" a caminhar pelo jardim.
 
 
Um último desenho. Aquela sensação que havia tanto por desenhar. Não faltarão oportunidades...
 
 
 

domingo, 4 de junho de 2017

Vivenda Malva-Rosa - Santa Cruz


Das poucas resistentes.....
A Vivenda Malva-Rosa fica na Rua José Joaquim Machado, em Santa Cruz. Ao seu lado, um posto de transformação "personalizado", que data de 1953. A casa está muito bem conservada, os proprietários estão de parabéns. É difícil resistir à pressão imobiliária, mas esta casa é a prova que ainda é possível.

sábado, 3 de junho de 2017

Oeste Sketchers em Arruda dos Vinhos

Hoje, a convite do Augusto Pinheiro, desloquei-me até Arruda dos Vinhos - desenhar a Feira Oitocentista. Quem me conhece, sabe que não sou muito dado a recriações, mas tenho de confessar que o ambiente estava fantástico. Sol, música, amigos, ambiente pitoresco e claro, muitos desenhos. Uma experiência repetir. Obrigado Augusto...
 
 
 
 
Cheguei tarde, quase na hora de almoço, mas ainda deu tempo para um desenho rápido - Igreja Matriz e Guarda Nacional. Depois de terminado o desenho encontrei um flyer do evento, decidi colá-lo no desenho - foi feito à medida.
 
 
 
 A 2ª coisa que um sketcher mais gosta é de comer e a 3ª, uma boa esplanada com bom enquadramento. Café no pátio do Palácio.
 
 
 
De tarde voltámos ao largo da Matriz
 
 
 
A caneta preta acabou. Mas quem tem uma velhinha BIC, nunca fica apeado. Os últimos desenhos. Não deu para ficar a tarde toda, mas valeu a pena.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Centro de Interpretação da Judiaria

25_maio_2017
Torres Vedras
 
A inauguração foi no dia 18, mas só consegui lá voltar no dia 25 para desenhar. Um final de tarde com sol, inesquecível. Vale a pena visitar, incluindo o interior, que para além da qualidade do espaço, conta ainda com um conjunto de ilustrações do Bruno Vieira - um excelente trabalho.
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Nota Biográfica

André Duarte Baptista, arquiteto, nasce em 1980 na cidade de Torres Vedras, onde reside e trabalha. Em 2013, obtém o grau mestre em arqui...