quinta-feira, 1 de outubro de 2015

(a)Riscar o Património - 2016 - Torres Vedras - Portugal

A reportagem

 
No passado dia 26 de setembro, a Cooperativa de Comunicação e Cultura (CCC - Sketchcrawl Torres Vedras) e a Câmara Municipal de Torres Vedras, juntaram-se à iniciativa (a) Riscar o Património - 2ª Edição, integrada nas Jornadas Europeias do Património Cultural, sob o tema Património Industrial. O Convite foi feito pela Direção_Geral do Património e a Associação Urban Sketchers Torres Vedras. A coordenação local foi assegurada pelo André Baptista (CMTV e CCC Sketchcrawl Torres Vedras).

O Encontro decorreu na antiga Cerâmica da Ermegeira (Maxial), uma antiga fábrica que se encontra desactivada há vários anos e contou com a presença de cerca de 30 "desenhadores de rua/urban Sketchers", tendo sido recebidos às 10h pelo Vereador do Urbanismo da Câmara Municipal de Torres Vedras, o arquiteto Bruno Ferreira, pelo Presidente de Junta da União de Freguesias de Maxial e Monte Redondo Celso Carvalho e pela Inês Mourão, Presidente da Cooperativa de Comunicação e Cultura. Não menos importante terá sido a presença de um dos herdeiros desta antiga cerâmica, o Sr. Luís Eduardo que presenteou os participantes com alguns relatos sobre o antigo funcionamento da fábrica.


O evento teve como desenhadores/orientadores convidados, os urban sketchers Teresa Ogando (Lisboa) e Edward Wandeur (S-P, Brasil).



O almoço decorreu nas instalações da antiga fábrica da Macieira (Maxial), onde os participantes pudram contactar com mais um edifício importante e relevante para o património indústrial torriense, sendo um edifício adquirido pela autarquia que contém um espólio significativo da antiga Macieira.


Depois de um passeio pela zona histórica do Maxial, os participantes voltaram à cerâmica onde puderam desenhar outros pormenores, outras memórias, na certeza porém, que o regresso será inevitável.

 


            

              
 
                
   

 

Estes desenhos serão facultados à Direção-Geral do Património Cultural, para que possam fazer uma selecção para uma futura exposição, à semelhança com o que acontecera com os desenhos do ano passado, que neste momento se encontram expostos no Museu Nacional de Arqueologia (Mosteiro dos Jerónimos - Lisboa), onde se encontram desenhos das 10 cidades, incluindo Torres Vedras.


Fotografias de Inês Mourão (as melhores) e André Duarte Baptista
 
A entrega dos participantes voltou a ser demonstrativa da importância que a autarquia, as associações, os torrienses e os "desenhadores de rua" atribuem ao património material e imaterial. No final, sempre a mesma promessa: "Havemos de voltar"

1º post - 1º intercâmbio entre Portugal e Brasil

1º post - 1º intercâmbio entre Portugal e Brasil
Olá a todos, uma vez mais, muito obrigado pelo convite para participar como correspondente neste grupo de fantásticos sketchers. O trabalho que vocês têm desenvolvido é merecedor do reconhecimento de todos, em toda a parte do mundo. Portugal não será excepção, nós acompanhamos de forma muito próxima os vossos encontros e os vossos desenhos. Já devem estar fartos de tanto texto acerca deste português, por isso deixo-vos aqui um desenho que assinala uma vez mais o estreitar de relações entre o vosso país e o meu. Para além da língua que nos une (apesar do meu português ser, como vocês gostam de dizer brincando, um português bem castiço), partilhamos outra linguagem e esta universal, O DESENHO. Hoje mesmo, chega a Torres Vedras o sketcher Edward Wandeur, um dos coordenadores do grupo de sketchers de Santo André (SP), que irá ministrar uma oficina de desenho neste evento: (a)Riscar o património. Como vêm, os (re)encontros entre portugueses e brasileiros, vão continuar. Até breve e mais uma vez, muito obrigado pela honra de pertencer a este grupo.

Obrigado Brasil

Conheça o Correspondente: André Duarte Baptista, de Torres Vedras (Portugal)
http://brasil.urbansketchers.org/2015/09/conheca-os-correspondentes-andre-duarte.HTML

A desenhar com o meu filho Tomás...
Olá a todos, meu nome é André Duarte Baptista, sou português, nasci em Torres Vedras, uma cidade a norte de Lisboa, (45km), onde vivo e trabalho. Neste momento trabalho como arquiteto na área de planeamento na Câmara Municipal (prefeitura) de Torres Vedras, com especial envolvimento na área de reabilitação urbana. O meu interesse pelo desenho começou desde cedo, no entanto sempre senti que não teria aquilo que muitos chamam de “dom especial” e que só teria sucesso se trabalhasse muito em busca daquilo que qualquer jovem ingénuo procura: A PERFEIÇÃO. Infelizmente deparei-me quase sempre com professores que me levaram a acreditar que a perfeição só se conseguia com a fiel representação de um determinado cenário. Esta busca pela perfeição deixou-me muitas vezes frustrado, afastando-me muitas vezes da paixão que tinha pelo desenho. 

No ensino secundário formei-me em Design Gráfico. Durante alguns anos trabalhei como designer gráfico na área da publicidade. Posteriormente inicio a minha actividade na área da construção civil, como desenhador e medidor orçamentista. Em 2007 decidi recuperar um sonho antigo – inscrevi-me no curso de arquitectura na universidade Lusófona, onde tive a sorte de encontrar dois professores que permitiram a minha reconciliação com o desenho de observação, explicando-me aquilo que hoje encaro como óbvio – o desenho é a interpretação que cada observador faz de um determinado espaço – cada observador vê e representa forma única e irrepetível. Fez-se luz e a partir daí nunca mais abandonei o desenho. Foi nos tempos de faculdade, em 2010 que comecei a juntar-me de forma pontual aos urban sketchers de Lisboa, sempre de forma tímida e muito pouco participativa. Mas dessa época o que me marcou mesmo foram os professores Nuno Freire e Sara Antunes e os meus colegas Filipe Oliveira e Luis Martins, dois monstros do desenho. No entanto, a minha referência sempre foi o Eduardo Salavisa, o eterno Desenhador do Quotidiano – desenho em caderno – desenho de observação – desenho sintético – caneta e aguarela.

Igreja da Graça, século XVI - Torres Vedras.

Confesso que nunca gostei de muita cor nos desenhos e limitei-me quase sempre ao uso da caneta. O grafite nunca me seduziu. Uma das coisas que mais me atrai no desenho de observação é a “necessidade” de relação entre desenhador/observador e o objecto/espaço que pretendemos desenhar – profundo e eterno jogo de sedução. Ao perceber os privilégios do desenho no processo de investigação, decidi que seria essa a minha principal ferramenta para a elaboração da minha tese de mestrado – O Lugar como simbiose – Centro Histórico de Torres Vedras. Assim foi, o desenho deu-me a conhecer um centro histórico que eu desconhecia, um centro histórico para lá das praças e dos edifícios. Desenhar obriga-nos a perceber como se compõem e estruturam os elementos que nos rodeiam. Além disso, o jogo de sedução ultrapassa a relação observador-objeto, criando um triângulo amoroso bastante interessante – observador-objetos-público.







Em 2014, iniciei o estágio em regime de part-time, como arquiteto, na Câmara Municipal de Torres Vedras, na Área de Planeamento, com o objectivo de apresentar um plano de revitalização/dinamização do centro Histórico da cidade, procurando a simbiose ente a arte, cultura e património. Assim nasce o evento Cultural “Arte ao Centro”, que contou com o apoio do artista plástico José Ferreira, tendo saído do papel para as ruas do centro histórico da cidade, representadas por sketchers e pintores. Este evento teve como parceiros a autarquia e a Cooperativa de Comunicação e Cultura. Ainda no âmbito do Arte ao Centro, assume a curadoria da exposição @rte ao Centro (CCC), em parceria com Ana Avelino, Catarina Sobreiro e Inês Mourão. Foi ainda curador da exposição do artista plástico brasileiro Lauro Monteiro no seu “Acalanto para Caymmi”, que esteve patente na COISA. 



Em Maio de 2014 sou convidado pela Cooperativa de Comunicação e Cultura a criar um grupo de desenho integrado nesta associação: CCC Sketchcrawl Torres Vedras. Desde então, tenho organizado vários encontros de desenho, privilegiando o espaço público e a interacção entre as diferentes idades e classes sociais.

Julho 2015 - Paraty (Brasil) - Mercado do Pescador

Entre 27 de Agosto e 7 de Setembro de 2014 estive em Paraty – RJ – Brasil, onde participei no 5º Simpósio Internacional de Urban Sketching e no 6º Encontro Internacional de Aquarelistas. Participei ainda na IV Semana Fluminense do Património, com duas comunicações: Identidade: Centro Histórico de Torres Vedras e Arte ao Centro – o desenho e os intercâmbios culturais. De 26/08 a 6/09, participei numa exposição conjunta com Lauro Monteiro, no IPHAN: Torres Vedras e Paraty: 2 linhas, 1 caminho.


Julho 2015 - Paraty (Brasil) - Mercado do Pescador

Para mim o desenho é tudo e nada ao mesmo tempo. Não tenho quaisquer pretensões/preocupações artísticas, faço-o de forma descontraída e descomprometida. Apesar de me rever no desenho a “preto e branco”, gosto de experimentar técnicas diferentes, de partilhar experiências com outros desenhadores, novas abordagens, novos olhares sob o mundo. O desenho é para mim uma ferramenta de trabalho, um momento de descontracção, uma forma de registar o mundo que me rodeia. Desenhar tem-me tornado mais rico – mais observador, mais sensível à relação homem/espaço. Por ultimo, mas não menos importante, tem-me oferecido muitos e bons amigos, tanto a nível nacional, como a nível internacional. Todo o projeto Arte ao Centro, que coordeno, tem privilegiado as relações com o Brasil e Espanha, com intercâmbios culturais, tendo o desenho como plataforma de articulação. A relação deste projeto com o Brasil é muito forte e espera-se que venha a crescer cada vez mais. Por isso quando me convidaram para correspondente oficial do Brasil, não escondi a minha enorme satisfação por pertencer a um grupo tão rico ao nível cultural e social. Por isso, a todos o meu obrigado. Podem contar com o meu trabalho e emprenho na valorização do vosso grupo.


Agosto 2014 - Paraty (Brasil)

Agosto 2014 - Paraty (Brasil)

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Regresso a Paraty - 21 julho 2015

Voltei a Paraty, a convite do Lauro Monteiro e Ricardo Inke para orientar um Workshop de desenho em diário gráfico.
 
 
 
Depois de desenhar a dupla página, como exemplo para o exercício do dia seguinte, saí com o Lauro, Artur e Marta, rumo à Praia da Trindade. A meio caminho parámos para almoçar na roça, no Rancho da Titia. Comida caseira cozinhada no forno de lenha.
 
 
Depois do almoço o céu fica negro, ameaçando tempestade tropical. Desistimos da Praia da Trindade e entrámos na mata rumo à Vila Volta, uma "sítio" de 200 hectares, implantado entre duas montanhas, onde fomos recebidos pelos proprietários
 
 
Um local paradisíaco, a voltar.....
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 12 de setembro de 2015

uns dias em Tavira I


Caderno artesanal formato A6
caneta preta waterproof .5 stapless
aguarela
 
 



Antigo bairro dos pescadores - praia do barril
 

na estrada de acesso às Pedras Del Rei, encontrei um conjunto de casas abandonadas que continham uma antiga nora, um engenho que vim a encontrar noutros locais em torno de Tavira.


momentos de descontração em família


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Convento de Varatojo - uma aproximação

Uma manhã de domingo solitária, com sol e desenhos em Varatojo - Torres Vedras

Saio de carro e apanho a EN 9, que me leva todos os dias até Torres Vedras. Aos poucos o monte de Varatojo (a poente do castelo de Torres Vedras), começa a impor-se no horizonte, reclamando a nossa atenção e eis que vislumbramos o Convento de São Francisco de Varatojo, implantado num socalco a meia altura da vertente noroeste do monte. O corpo branco destaca-se a longa distância, no meio da mata que o rodeia e que parece fazer a transição entre o meio urbano e meio rural. 
Um pouco mais à frente, corto à direita, rumo a Varatojo. A estrada é estreita e serpenteia no meio de muros, pomares e vinhedos, onde perdemos de vista o edifício religioso. Uns metros à frente, reencontro-me com a fachada norte do convento, que se apresenta de forma austera, depurada de elementos decorativos. A monotonia é interrompida, apenas, pelas fenestrações que permitem a iluminação e arejamento dos aposentos dos monges. A sua dimensão leva-me a refletir sobre a dimensão do edifício, dos cantos e recantos que deve conter e histórias por contar... Deste ponto de vista, o edifício parece levitar sob as videiras cuja folhagem ainda se apresenta num verde bem "fresco e luminoso". Era inevitável, tive de parar e desenhar. As cores nunca saem como eu quero, mas as linhas respeitaram a minha vontade: registar o essencial.

Subo mais um pouco e encontro o Largo na zona sul do edifício, onde estaciono. É assumidamente um espaço de transição e mediação entre o convento e o Lugar - Varatojo. Ao nível morfológico, existe uma alteração brusca, relativamente à zona norte que tinha deixado para trás, fruto da vertente com acentuada inclinação. A norte, uma grande massa construída que se afirma na paisagem, com 3 pisos de altura. A sul, uma estrutura totalmente distinta, "agarrando-se" ao terreno e à envolvente, com uma arquitetura mais complexa e com elementos decorativos, reveladora das transformações sofridas ao longo dos séculos. Ainda associado à morfologia do terreno, aqui os edifícios encontram-se semi-enterrados. A Cruz denuncia a localização da Igreja, mesmo ao meu lado direito. Andtes de sair do carro deparei-me com uma perspetiva interessante de registar. Quando desenho o património, tento que esse exercício não se limite à tentativa de representação de elementos esteticamente interessantes, procuro sobretudo explorar aspectos menos conhecidos, pormenores, estado de conservação ou cicatrizes relevadoras da sua história. Acabo por fazer o desenho anterior, vendo parte da igreja e as coberturas das capelas laterais. Não me recordo de todos, mas penso que a 1ª é a de Nª Srª das Dores (1ª metade do séc. XVIII).
Desço as escadas e reencontro o "irmão porteiro" com uma idade bastante avançada, com uma grande dificuldade em andar, mas nesta casa não pressas. Sorriu, reconhecendo-me e disse-me desenhe à vontade, a casa é sua.... 

No interior optei por não desenhar o claustro. Numa sociedade onde o ruído bateu todos os recordes, seja ele sonoro ou visual. encontrar um espaço destes é como entrar num túnel do tempo (um túnel bem isolado :-) ) Decidi enfrentar um "velho amigo". desta vez ganhei coragem e desenhei o pórtico manuelino, do séc. XVI, fruto do investimento régio de D. Manuel, a par dos pórticos das igrejas do centro histórico (S. Pedro e S. Tiago) e o pórtico do castelo. Este pórtico assinalava a Capela - Jazigo dos Alcaides-Mores da vila. É uma peça bastante complexa e difícil de "vergar", mas aos poucos...

Para além de dar a conhecer este belo edifício, esta publicação serve para vos convidar a juntarem-se a nó no próximo dia 12 de Setembro para desenhar o Convento de Varatojo. Fiquem descansados, é bem mais bonito do que aquilo que eu desenhei....

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Sketchcrawl Torres Vedras - Património Religioso - Convento de Varatojo

 
Estão convidados a juntarem-se a nós num espaço fantástico, o Convento de Santo António de Varatojo, monumento nacional, fundado em 1470 por D. Afonso V. Em 1474 é oferecido à comunidade franciscana que o passa a habitar e onde ainda permanece.
Fica situado num monte próximo da cidade de Torres Vedras, no lugar de Varatojo. É um local mágico, pátios corredores, capelas, monges, mata e arte sacra.

Organização: Cooperativa de Comunicação e Cultura
Coordenação: André Duarte Baptista
Parceria com os Urban Sketchers Brasil

Data e Hora: 12 de setembro, pelas 9h30, à porta do convento.
inscrições gratuitas, mas sujeitas a pré-inscrição - geral@ccctv.org

Materiais: tragam materiais que vos estimulem a desenhar
Suporte: gostamos do caderno :-)

Ficamos à vossa espera!!!!
 

Publicação em destaque

Nota Biográfica

André Duarte Baptista, arquiteto, nasce em 1980 na cidade de Torres Vedras, onde reside e trabalha. Em 2013, obtém o grau mestre em arqui...