sexta-feira, 20 de abril de 2018

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Benjamim

Hoje a cidade de Torres Vedras ficou mais pobre, tendo perdido uma personalidade marcante da sua identidade - Benjamim.

Quem quisesse encontrá-lo, bastava ir até à Rua 9 de Abril e lá estava ele, acompanhado pelo trolley e pelos seus amigos pombos, aconchegado pelo seu "xaile" a ouvir a música que saía da sua telefonia. Aquela rua era a sua casa e sem ele nunca mais será a mesma...e nós também não. Descansa em paz Benjamim.



quinta-feira, 12 de abril de 2018

Física | 93º Aniversário

Parabéns Física |  Obrigado Física | Rumo aos 100

5 anos de gratidão. Se eu soubesse que era dia de aniversário, tinha caprichado mais no desenho. 







terça-feira, 10 de abril de 2018

Dia Nacional dos Moinhos | Parte da Tarde

Seguimos para Caixeiros, mais um moinho à nossa espera, um moinho e pão quente cosido no forno a lenha.



Enquanto conversavam e saboreavam as melhores merendeiras com chouriço (e não só) do mundo, eu aproveitei para saborear o sol que de repente interrompeu a chuva que caia copiosamente, acompanhado por mais um desenho. Já o desenhei muitas vezes, mas aparece sempre um novo detalhe.

Moinho e casa do pão (ilustração do autor). 


Foi construído em 1836, pertencendo à família do "João Capirote". Nasceu com o nome de Moinho da Várzea, devido ao local onde se encontra implantado - uma várzea. Muitos duvidaram da sanidade mental de quem o construiu - "Um moinho numa várzea?" - Sim, talvez tenha sido o único no concelho, mas a verdade é que ainda hoje funciona na perfeição. Visionário o Sr. Capirote. Rapidamente passou a ser conhecido pelo "Moinho do Capirote" e mais tarde "Moinho dos Caixeiros". Hoje, o moleiro é o Sérgio Alves, filho e neto de moleiro. Chegou a pensar que não seguiria com a profissão dos seus antepassados, já que apenas no ano de 2000 terá assumido o oficio de moleiro aos “comandos” deste moinho.

Fruto de uma parceria entre a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal, ao longo dos últimos 20 anos, conseguiu-se que esta freguesia mantivesse no seu território dois exemplares moinhos (vento e água) devidamente conservados, mas sobretudo "habitados". A azenha foi convertida em posto de turismo e centro interpretativo que conta a história do edifício e o ciclo do pão. O moinho dos Caixeiros foi recuperado e voltou a moer cereais, transformando-se num ponto turístico de referência, pelo valor patrimonial do moinho, mas também pela fama do "pão caseiro" que ali é feito.

Dos cerca de 200 moinhos e 20 azenhas com que o município de Torres Vedras conta, muitos encontram-se em ruína, ou em mau estado de conservação. Alguns foram convertidos em casas, alguns com soluções boas e muitos com soluções duvidosas e constrangedoras. A falta de sensibilidade e conhecimento das pessoas associada à falta de mão-de-obra qualificada e capacidade económica para as intervenções, contribuíram para um cenário crítico, colocando em risco este património cultural material e imaterial, um dos principais pilares da matriz identitária do território de Torres Vedras e de toda a zona Oeste. 
Ainda que lentamente, o cenário começa a inverter-se, mas é preciso fazer mais e para tal será necessário devolvê-los à estima pública. Para isso precisamos de voltar a olhar para eles, perceber o valor que representam, o valor cultural, social, turístico e económico, mas sobretudo o valor patrimonial, tanto na componente física como na componente social. Só podemos valorizar e cuidar aquilo que conhecemos.
O velho moinho tem resistido aos tempos, caminhando para os 200 anos, assente na sua história mas sempre a projectar-se no futuro.





Última paragem - Azenha de Santa Cruz, que dispensa apresentações, não só por ser bastante conhecida, mas sobretudo pela informação que pode (e deve) ser vista no núcleo expositivo. A chuva foi-se, veio o sol, em jeito de compensação aos "desenhadores-guerreiros" que lutaram contra moinhos de vento e que agora encontram o descanso dos justos junto ao moinho de água. É hora de saborear o sol, a brisa e a excelente vista que o mar nos oferece.  Aproveito para fazer esta panorâmica, um verdadeiro lugar-comum, mas foi o que saiu.






Para fechar com chave de ouro, um lanche oferecido pela Junta de freguesia da Silveira, que nos recebe sempre tão bem.


Seguiu-se a habitual foto de grupo com os últimos resistentes.


Os sorrisos falam por si, ficando bem claro que teremos de repetir a experiência. Hoje, os desenhadores foram verdadeiros "caçadores de memórias".

Obrigado a todos aqueles que contribuíram para o sucesso deste encontro e um agradecimento especial aos últimos "guardiães dos moinhos do nosso concelho". 

Mais fotografias e desenhos do evento em Oeste Sketchers

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Dia Nacional dos Moinhos | parte da manhã


Desafiei os Oeste Sketchers a comemorar o Dia Nacional dos Moinhos, com um encontro de desenho em Torres Vedras. Desafio aceite, roteiro desenhado: Bordinheira, Caixeiros e Azenha de Santa Cruz.

O primeiro desenho do dia, em jeito de aquecimento - paisagem marcada por moinhos tradicionais e industriais (energia eólica). 



 Junto à Estação de Serviço BP Casalinhos de Alfaiata.

10h e os desenhadores vão chegando. Algumas desistências devido à chuva, mas mesmo assim tivemos  22 participantes e duas estreias no grupo, a Susana Coelho, membro do grupo Évora Sketchers, e uma estreia absoluta no desenho, a Carla Inácio de Torres Vedras. O primeiro a chegar foi o Sr. Joaquim Constantino, mais conhecido por Quim, moleiro e nosso anfitrião. A sua casa fica junto ao moinho, cujo piso térreo acolhe a maquinaria necessária para poder ensacar a farinha. O quotidiano deste moleiro  divide-se essencialmente por estes três espaços. O seu patrão é o vento, pois é ele quem lhe dá ordens e sustento. A sua produção divide-se entre o artesanal e o industrial, mas o que não se divide é a qualidade da farinha - única e de excelência.  O Sr. Joaquim é a terceira geração de moleiros e tudo começou com o seu avô, ainda no séc. XIX, com o Moinho Frade, que actualmente pertence a uma prima. O seu pai continuou com a profissão e no ano de 1946 construiu o segundo moinho do Casal Moinho Frade, o agora conhecido "Moinho do Constantino".
 Sábado costuma ser um dia agitado e muito trabalho, desde a moagem, ao ensacar e também à distribuição, tudo feito pelo nosso anfitrião.  Mas a generosidade deste moleiro levou-o a reservar a manhã para nós.  Colocou as velas a jeito, mas não as soltou, devido ao mau tempo. Apenas para a fotografia... ou melhor, apenas para o desenho.

 



 

 




 




 




 



 

(Fotografias do autor)
A chuva demorou a chegar, até por que "ela anda ali mais para o lado da Freiria. Lá está negro, eles andam a rezar pouco", rematava assim o Sr. Joaquim com a sua risada que tão bem o caracteriza. Acreditei nele e fiz mais um desenho.



À direita o original Moinho do Constantino e à esquerda uma réplica feita pelo Sr. Joaquim.

Afinal não é só na Freiria que se reza pouco, na Bordinheira também. A chuva chegou, mas em forma de aguaceiros rápidos. Os moinhos e a moagem transformaram-se em abrigos. O óptimo estado de conservação em que se encontram, conferiram todo o conforto necessário para uma boa manhã de desenhos. As abertas foram aproveitadas por alguns. Outros transformaram a moagem num verdadeiro atelier, e ainda houve quem preferisse o automóvel.
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(Fotografias do autor)

E outros, como eu, aproveitaram para saber o que é "habitar" um moinho. Instalei-me no 3º piso, junto ao capelo. O som da chuva a bater no capelo é música para os ouvidos. A visão perde-se perante tantos pormenores - madeira, pedra, metal, cordas... Tanto para desenhar, tanto para conhecer e reter (nos cadernos e na memória).  Um lugar mágico por um lado, mas por outro leva-nos a imaginar a vida dura que os moleiros tinham.




Desenho feito no 3º piso do moinho Frade (ilustração do autor).


No final, lancei o desafio de deixarmos com o Sr. Joaquim uma lembrança que marcasse a nossa passagem. Pegar numa saca de farinha nova e personaliza-la com um desenho de cada desenhador. Aceite e superado.



(Fotografias do autor)


No momento da habitual partilha de desenhos, tivemos o privilégio de conhecer o moleiro mais antigo da freguesia da Ventosa, o Sr. Benedito Ferreira Carimbo, que este ano celebrará 90 anos de vida, quase toda ela dedicada aos moinhos. Nunca teve outra profissão, foi amor para a toda a vida e isso percebe-se no brilho dos olhos quando fala sobre os moinhos e os moleiros. Imaginem só as histórias que ele tem para contar. Combinámos um encontro, para conhecer o seu velhinho moinho do Cortiço, mas sobretudo para ouvir as histórias que tem para partilhar. 
O seu moinho, localizado em Bonabal, está abandonado desde a década de 1970, quando "uma espécie de tufão passou por lá e levou o capelo. Foi uma dor de alma, um dos dias mais tristes da minha vida, nem sabia o que fazer. Mas fiz-me ao caminho e construí uma pequena moagem e continuei a trabalhar até não poder mais. Hoje é o meu filho que segue com o negócio, mas o moinho nunca mais foi recuperado, continua lá em ruína, é uma tristeza. Mas custa muito dinheiro arranjar aquilo..." (Sr. Benedito)





Enquanto conversava com os Srs. Benedito e Joaquim, saíram uns registos para memória futura.

 
Foto de grupo na companhia dos moleiros que nos receberam de forma excepcional.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Nota Biográfica

André Duarte Baptista, arquiteto, nasce em 1980 na cidade de Torres Vedras, onde reside e trabalha. Em 2013, obtém o grau mestre em arquitetura, cuja dissertação se intitula O Lugar como Simbiose. Centro Histórico de Torres Vedras. 2014, enquanto arquiteto, inicia a colaboração com a Área de Planeamento da Divisão de Planeamento Estratégico e Territorial no Município de Torres Vedras, onde coordena alguns projetos associados à regeneração urbana e ao património cultural, destacando-se o Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano, o Arte ao Centro e o Encontro Internacional de Desenho de Rua. 
 
Paralelamente, desenvolve trabalhos na área da ilustração e educação patrimonial, possuindo Certificado de Competências Pedagógicas para exercer a profissão de Formador. É coordenador do grupo de desenho de rua da sua cidade, tendo sido um dos fundadores do Oeste Sketchers. Também é correspondente convidado dos Urban Sketchers Brasil e Membro dos Urban Sketchers Portugal.
 
É membro do  ICOMOS, do Colégio de Arquitectos Urbanistas, da Associação Portuguesa para a Reabilitação Urbana e Proteção do Património, da Sociedade Portuguesa de Estudos de História de Construção e da Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras.           

Ao longo dos últimos anos tem orientado vários Workshops sobre desenho de observação, em Portugal e Brasil, destacando-se os seguintes: Arte ao Centro (2014); Encontro de Desenho:  Vamos desenhar em Família (Dia da Criança 2014); APECI – Associação Para o Ensino de Crianças Inadaptadas – Torres Vedras – Oficina de Desenho (2014); Museu Leonel Trindade – Torres Vedras - Museu Aberto – Oficina de desenho – pessoas com necessidades especiais (2014); Encontro Internacional de Desenho de Rua de Torres Vedras (2015 e 2016); Associação Estufa – Torres Vedras - Workshop – Diário gráfico para crianças (2015); Museu da Electricidade – Workshop de Diários Gráficos – Linha / Sombra / Luz (em parceria com Pedro Alves); Casa Atelier Vieira da Silva – Lisboa – “As parte e o todo: A identidade do Lugar" (2016); (a)riscar o património com famílias (2016); Escola Raúl Proença – Caldas da Rainha – “desenho de observação – Identidade do Lugar” (2017).  Lusófona Summer Scholl – Urban Sketchers (2017); Bienal de Ilustração da Ajudaris – Amarante – “Desenhar à Descoberta do Património” (2017). Residências artísticas (desenho e lugar) em Amarante (2017) e Castelo Branco (2018). 

Ainda no âmbito do desenho tem integrado exposições colectivas: Câmara Clara – Torres Vedras - arte ao centro (2014); Lisboa - O Mundo num Caderno: Os Urban Sketchers na António Arroio (2017); Portugal – vários locais - Exposição Colectiva Itinerante - (a)Riscar o Património (2015, 2016 e 2017); Museu Bordalo Pinheiro – Lisboa - Exposição Colectiva “Desenhar por aí – A Lisboa de Bordalo Pinheiro (2017); Museu Francisco Tavares Proença - Castelo Branco - Exposição colectiva "Espessura do Tempo - Património  e Paisagem".

Como orador convidado tem participado em várias conferências sobre reabilitação urbana, educação patrimonial e desenho de observação, tanto em Portugal como no Brasil.


Silveira: entre o campo e o mar

A silveira é uma freguesia do município de Torres Vedras, cujo território se divide "entre o campo e o litoral". Ultimamente tenho dedicado parte do meu tempo a conhecer melhor a freguesia onde vivo desde sempre. Pensamos que conhecemos, mas quando começamos a olhar com olhos de ver, percebemos que há uma imensidão de lugares a explorar.
 
Na passada 6ª feira, feriado, fiz uma caminhada, que me habituei a fazer desde muito pequeno, partindo da casa dos meus avós e pais (Boavista), até ao Alto da Vela.
 
A primeira paragem foi o Casal dos Corvos, ou pelo menos o que resta dele. Este casal pertence à família do meu avô há pelo menos 400 anos. Hoje, já não temos qualquer ligação, resta-nos a ligação afectiva. Ver o estado em que se encontra deixa-nos frustrados. Restam-nos as memórias. O poço de água, onde a minha tia-avó Germana tirava água para regar os seus belos jardins e enchia o tanque para lavar a roupa. O poço era um verdadeiro centro comunitário, uma verdadeira festa. Nos dias de calor o tanque transformava-se em piscina. Morreu a tia-avó, morreram as flores, ficam as memórias.
O Curral das ovelhas do tio-avô Joaquim Gigante está à venda. A ruína tomou conta dele. Em tempos foi abrigo de um dos maiores rebanhos da freguesia, cerca de 100 ovelhas e 20 cabras. Em tempos representava vida, hoje a morte, a morte da pastorícia, mas pior que isso, a morte dos últimos pastores do Casal dos Corvos: Joaquim e Germana.
 
 
O Casal dos Corvos, para além do casario tinha um conjunto de terras que se estendia até ao Alto da Vela. As terras também têm nome: Terra da Vinha; Rodelo; Cabeço das Mamas; Poço das Vacas... Parte dessas terras ainda se mantém na família, onde o os meus avós têm um pequeno casal com animais e hortas. A chuva floriu os campos, com cores de uma beleza única e inconfundível. A memória leva-me a viajar no tempo, o tempo em que eu vinha com os meus primos apanhar a espiga, o tempo em que vínhamos brincar por entre os campos de trigo, o tempo das vindimas, o tempo da apanha da batata e o almoço comunitário na fazenda entre proprietários, família, amigos e trabalhadores.
 
 
Com a idade íamos ganhando a confiança dos nosso pais e avós e íamos "conquistando o nosso território". O céu era o limite, neste caso era o Alto da Vela o nosso fruto proibido, pela distância e pelo perigo das arribas. Uma verdadeira aventura. 
 
 
 
Não vos canso mais com esta minha viagem nostálgica.
 
 

terça-feira, 3 de abril de 2018

Óbidos


Arte Déco na arquitectura do sertão brasileiro

A influência da Arte Déco na arquitectura do sertão brasileiro. Acabado de chegar. Obrigado Lia Rossi e José Marconi Bezerra de Souza por se terem lembrado de mim. Parabéns pelo trabalho que têm desenvolvido no (re)conhecimento e salvaguarda do património material e imaterial desse grande Brasil. Quando falham as instituições (públicas e privadas), resta-nos a vontade, o trabalho e muita generosidade de pessoas como vocês, que dão tudo na defesa de ideais.
 
 
 
 

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