Mostrar mensagens com a etiqueta 4º Encontro Montemor Sketchers; André Duarte Baptista. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 4º Encontro Montemor Sketchers; André Duarte Baptista. Mostrar todas as mensagens

sábado, 12 de agosto de 2017

4º Encontro Montemor Sketchers


Montemor-o-Velho
 
4º Encontro de Desenho
 
Saio da Figueira da Foz rumo a Montemor. Confesso que fui com receio, tendo em conta a cor do céu -negro do fumo provocado pelos incêndios. Mas fui. Há muito que estou para visitar o Jorge e a terra onde vive  e desenha. Esta vontade resulta da admiração que tenho pelo Jorge, pelo trabalho que desenvolve, em prol do desenho e da promoção do papel de palha de arroz. Admiro ainda a sua persistência, tanto na organização de encontros, como na prática diária de desenhar em cadernos.
 
Ao chegar a Montemor, fico maravilhado pela beleza do Lugar (apesar do fumo). A pacatez, a paisagem pitoresca e claro a vista sob o castelo. À minha espera estava o Jorge e a Elsa. Subimos rumo ao castelo. A escada rolante não funciona, raramente funciona. Era totalmente desnecessária. Para além da falta de integração paisagística,  quando funciona, permite que as pessoas cheguem, estacionem, subam, visitam o castelo, descem, entram no carro e vão embora. E a relação com as pessoas? Com os becos e travessas? com o comércio tradicional? Ou seja, com a alma do centro histórico?
 
Aos poucos começaram a chegar os restantes participantes, vindos de vários cantos do país: Porto, Aveiro, Coimbra...etc.
Começámos pela Igreja de S. Martinho, que está em obras. Eu procurei a sombra e comecei a aquecer a mão. Continuei com as folhas soltas e a brincar com a aguarela.
 
 
De seguida, junto-me ao Armando e ao João Tiago. Este muro conquistou-me.
Pelo portão sai uma senhora que nos pergunta:
 
 "São dos Monumentos?". "Não, somos apenas amantes do desenho". "Estão com sorte, se fossem, ia já ralhar convosco. Estão a ver esta miséria. A obra foi embargada. Andámos anos e anos a pedir que eles arranjassem a igreja e nada. Agora arranjámos uma senhora com dinheiro para financiar as obras, chegaram aqui e mandaram parar a obra. Dizem que precisamos de ter aqui um arqueólogo que custa 250€/dia. São doidos. Não arranjam nem deixam arranjar. AAAi que sorte que vocês têm, vinha mesmo com vontade de ralhar.....qualquer dia a senhora morre e nada de obras...." e lá foi a senhora novamente para o interior da igreja.
 
 
A hora de almoço aproxima-se, vamos caminhando até ao quarteirão das artes. Eis que me deparo com este enquadramento. Este desenho deu-me especial gozo a fazer, mas não vou ficar com ele. Vai regressar a Montemor, oferecido ao Centro de Artes do Papel, como forma de agradecimento pela hospitalidade. Foi este que o Jorge (mais conhecido pelo homem do papel), escolheu.  
 
 
 
Depois do desenho, dirigimo-nos ao Centro de Artes do Papel, onde está a decorrer um workshop de fabrico artesanal de papel, dirigido pelo Jorge, que foi o nosso anfitrião, recebendo-nos com um belo banquete.
 
A seguir ao almoço, fomos à Praça da República, onde se encontra o edifício Passos do Concelho. Sentámo-nos na esplanada e saiu um novo desenho.
 
Apesar de ninguém querer sair da esplanada, aos poucos fomos caminhando para o castelo. Mais uma subida, com muito calor. Conforme vamos subindo, vamos vendo as várias frentes de incêndio. As sirenes dos bombeiros não param de "gritar a pedir ajuda". Os aviões não param.
Quando chegamos, encontramos um cantinho com sombra. Decido experimentar o papel de palha de arroz. Muito bom para desenhar edifícios de pedra. Basta usar caneta preta. O papel faz o resto.
 
 
 
Este foi o meu último desenho, que tive de acabar em casa - Igreja de Santa Maria da Alcáçova. Acabou-se a tinta das canetas. Foi a sorte do Jorge (Antunes), que já andava a chamar-me a algum tempo. Fiquei impressionado com espaço interior das muralhas: cuidado, com arvores e relva para bons momentos de lazer.
Descemos pela estrada antiga de acesso ao Castelo, rumo à Cafetaria letra B, para a inauguração da exposição de desenhos do Jorge. Um espaço bastante interessante, com uma pequena galeria. Seguiu-se a habitual partilha.
 
 
Uma palavra de apreço pela hospitalidade dos Jorges, o Antunes e o "homem do papel".
 
Fiquei fã e de certeza que vou voltar.
 
Os desenhos feitos no caderno serão publicados em breve, para não vos cansar.
 

Publicação em destaque

Nota Biográfica

André Duarte Baptista, arquiteto, nasce em 1980 na cidade de Torres Vedras, onde reside e trabalha. Em 2013, obtém o grau mestre em arqui...