sexta-feira, 9 de outubro de 2015

matriz urbana e identidade do lugar: Centro Histórico de Torres Vedras


Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
Congresso internacional
O Centro Histórico no Novo Paradigma Urbano  
Orador: André Duarte Baptista

Março 2014

 

matriz urbana e identidade do lugar

Centro Histórico de Torres Vedras

 Resumo: Preparado como texto de suporte para uma comunicação ao Congresso “Os Centros Históricos no Novo Paradigma Urbano”, começamos por abordar os conceitos de património subjacentes às políticas de Reabilitação Urbana. Seguidamente, alertamos para a necessidade de encarar estas zonas antigas como elementos dinâmicos, capazes de se adaptarem às circunstâncias de cada época/sociedade e como tal, torna-se fundamental conhecer a evolução da sua matriz urbana ao longo dos séculos, assim como a sua relação com as dinâmicas de crescimento da restante urbe. Tendo em conta que a matriz urbana é uma das premissas fundamentais da Identidade do Lugar, apresenta-se um estudo sobre o desenvolvimento urbano do Centro Histórico de Torres Vedras, desde a génese do povoado, até ao processo de reconfiguração do séc. XXI, impulsionado pelo programa Torres ao Centro’.
 

 

Introdução

Quero começar por cumprimentar os responsáveis pelo Congresso “Os Centros Históricos no Novo Paradigma Urbano” e expressar o meu profundo agradecimento pelo convite, para nele participar.
O tema geral que nos é proposto é o papel dos centros históricos nas cidades do séc. XXI. O estudo aqui apresentado, é o centro histórico de Torres Vedras, que se encontra num profundo processo de reconfiguração urbana promovida pelo programa de reabilitação urbana “Torres ao Centro”, assente sob as directrizes do Plano de Pormenor de Reabilitação Urbana do Centro Histórico, em vigor desde 2010.
A reabilitação de um centro histórico depende muito do plano a ele subjacente, que estabelece as premissas a seguir, assim como os objectivos pretendidos. Os planos estratégicos deveriam resultar da articulação entre a legislação em vigor e a análise do Lugar. A legislação indica que essa análise deve centrar-se na Identidade do Lugar: arquitectura, urbanismo, população, habitat, património, economia, história, cultura….. Tendo em conta que os centros históricos foram, na sua maioria, elementos dinâmicos capazes de se adaptarem às circunstâncias de cada época/sociedade, torna-se fundamental conhecer a evolução da sua matriz urbana ao longo dos séculos, assim como a sua relação com as dinâmicas de crescimento da restante urbe e se essa reconfiguração comprometeu ou não a Identidade do Lugar.
A presente comunicação alicerça-se na dissertação de mestrado O Lugar como Simbiose: Centro Histórico de Torres Vedras, por mim defendida, na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Essa investigação pretendeu colmatar a ausência de um documento, de conhecimento público, complementar que permita conhecer a sua morfologia urbana. Tendo em conta que a matriz urbana é uma das premissas fundamentais da Identidade, julga-se primordial o exercício de reconstituição do seu desenvolvimento urbano. Tal exercício ajuda a sensibilizar os mais conservadores, para o facto de estas zonas antigas nunca terem sido estáticas, mas sim dinâmicas, capazes de se adaptarem aos novos desafios e que foi essa capacidade que permitiu-lhes chegar ao séc. XXI, através de processos de reconfiguração, uso e manutenção. Conhecer a sua evolução urbana e os pólos de atracção do crescimento periurbano, permite-nos entender quais os elementos essenciais que caracterizam a morfologia urbana, cujo desaparecimento, colocaria em causa a Identidade do conjunto. Por outro lado possibilita-nos reflectir sobre a continuidade de outros, cujo desaparecimento poderia beneficiar a harmonia e sustentabilidade do todo. A construção e a demolição, o avanço e o recuo, estiveram sempre presentes na evolução das urbes. Um centro histórico é como um corpo composto por várias células, onde não podemos dissociar as partes do todo. Mas também não é menos verdade, que qualquer célula necessita de se regenerar.
As dinâmicas de desenvolvimento da matriz urbana dos centros históricos e a sua relação com a restante cidade, podem e devem contribuir para alcançar soluções inovadoras que promovam a revitalização destas zonas adormecidas através do combate à sua sacralização e consequente “museificação”.
Independentemente das ideologias, torna-se quase impossível libertarmo-nos do passado, afinal a sociedade assenta sobre um quadro genético, onde a memória tem uma importância fundamental e como tal, todo o ser humano, desde a sua nascença, vai assimilando tudo o que o rodeia e isso vai repercutir-se nas suas acções, logo no espaço físico que o envolve diariamente. Como tal, urge um equilíbrio, nesta relação tão delicada entre passado e o futuro, Valorizar o passado, sim, mas projectando e promovendo o futuro dos edifícios e dos lugares, logo da sociedade.
 

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