sábado, 7 de março de 2015

Século XIX: Das Linhas Defensivas às Linhas do Progresso


 
O ano de 1810 terá dado a Torres Vedras uma projecção nacional e internacional, que ainda hoje faz parte da sua própria identidade: Linhas de Defesa de Torres Vedras. No âmbito das invasões francesas, a vila integrava o sistema defensivo a norte de Lisboa, onde as Linhas de Torres, idealizadas pelo Duque de Wellington, contemplavam uma estrutura defensiva com uma dupla funcionalidade: proteger Lisboa de possíveis ofensivas vindas do norte do País, e/ou garantir uma fuga segura ao exército inglês, rumo a Inglaterra. O início da sua construção é anterior a 20 de Outubro de 1809, altura em que grande parte de Espanha já estaria sob o domínio de Napoleão, enquanto, que em Portugal estava montada a defesa patrocinada por Inglaterra: Wellignton em Badajoz, Silveira no Douro e Beresford na Beira Baixa. Porém, Wellington receava que as tropas franceses conseguissem invadir Portugal, e como tal, decide iniciar a construção das Linhas de Torres, igualmente financiadas pela Grã-Bretanha. Moralizado com as vitórias alcançadas na Áustria e em Espanha, Bonaparte ordena a invasão de Portugal em 1810, com tropas comandadas pelo Marechal André Massena, que chegou perto da vila em Outubro desse mesmo ano, mas onde não conseguiu penetrar, acabando mesmo por desistir.
A fortificação de maior dimensão e importância seria o Forte S. Vicente, que terá herdado o nome da ermida aí construída, pelo menos desde 1267. Para além das fortificações, Torres Vedras terá beneficiado com a execução da primeira cartografia do seu território .

Em 1846, a vila foi novamente palco de acções militares, no âmbito da ‘Patuleia’, sucedendo à revolta da ‘Maria da Fonte’. A Câmara era presidida por Francisco Tavares de Medeiros, um ‘liberal’ activo, pertencente à elite local, que aparentemente apoiava a revolução vinda do Porto. Talvez por esses factos, aliados à privilegiada localização da vila, em relação a Lisboa, os revoltosos Conde de Bonfim e Mouzinho de Albuquerque, decidiram ocupar o castelo e os fortes de S. Vicente e da Forca. O objectivo seria tentar travar as topas da rainha, lideradas pelo Duque de Saldanha, que começou a levar de vencida esta batalha, desde muito cedo. Perante a força demolidora das tropas reais, o Conde de Bonfim é obrigado a refugiar-se no castelo, sem quaisquer mantimentos, onde já se encontrava Mouzinho de Albuquerque gravemente ferido pelas balas do inimigo. A vila foi saqueada pelas tropas da rainha e nessa madrugada de má memória, registaram-se vários estragos no interior da urbe. No dia 23 de Dezembro, Mouzinho de Albuquerque é transportado para a casa onde estivera anteriormente aquartelado, acabando por aí falecer no dia 27, sendo posteriormente sepultado na Igreja de S. Pedro.

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