sábado, 9 de junho de 2018

Caderno de Viagem Brasil 2018 - dia IV

21.05.2018  Último dia em Araraquara

A tarde foi passada na Chácara Sapucaia, onde fui recebido pela Teresa Telarolli, Secretária da Cultura da Prefeitura de Araraquara e Beatriz Aied, presidente do Conselho do Património de Araraquara. Fui convidado para uma palestra e troca de experiencias com os membros do Conselho do Património sobre estratégias de salvaguarda do património cultural.






Neste momento a Chácara sedia a Secretaria da Cultura. 
Depois de uma tarde intensa e muito enriquecedora, voltei ao Hotel para um curto descanso, pois daí a nada começava a palestra na Universidade de Arquitetura de Araraquara, integrando XXI Semana da Arquitetura. A minha comunicação foi sobre a Regeneração Física e Social da Encosta de S. Vicente. 
Apesar de breve, esta paragem deu para fazer um último desenho em Araraquara e o edifício escolhido foi o Novo Hotel Municipal, aquele que foi o nosso quartel-general nos últimos dias.  Para além da beleza arquitetónica (interior e exterior), da excelente localização (próximo de tudo), destaco a qualidade do atendimento. A todos os funcionários, muito obrigado.

No dia seguinte parti para a Fazenda Conde do Pinhal (São Carlos)



sexta-feira, 8 de junho de 2018

Caderno de Viagem Brasil - 2018 - dia III (tarde)

20.05.2018  parte da tarde

Depois de uma manhã intensa seguimos para a cidade, mais precisamente para junto do Teatro Municipal, uma obra de arquitetura brutalista, da autoria dos arquitetos Arnaldo Palamone Lepre e Francisco Santoro, construído em 1977. O edifício encontra-se em obras de reabilitação e apesar do estado de degradação, continua bastante desenhável. 
Depois da habitual voltinha de contemplação, eis que dá inicio o Workshop orientado pelo Pedro Alves.



No final, enquanto organizavam a habitual partilha de desenhos e foto de grupo, aproveitei para registar esta lanchonete ambulante, a "Bokita".

Seguimos para o Drink & Draw no espaço Cris, com um belo momento musical. Bossa nova ao vivo é outra coisa. O registo que se segue resulta de um "desenho cego". 

No final, uma nova surpresa, o reencontro com o Alex Lima, que em 2017 esteve em Torres Vedras fazendo parte do Coletivo Brasil.


quinta-feira, 7 de junho de 2018

Caderno de Viagem Brasil 2018 - Dia III (manhã)

20.05.2018
 
2º dia do Encontro Internacional de Desenho de Rua
O 1º workshop foi orientado por mim e o local escolhido não podia ter sido melhor - o Assentamento Bela Vista.
 
O desafio passava por criar composições gráficas que conciliassem desenho e escrita. Trazer nos cadernos pedaços da história daquele lugar e da sua comunidade.
 
 
O casarão do Assentamento é uma peça única com uma carga emotiva muito forte. Enquanto fazia este desenho, ouvia a história que a nossa anfitriã, a Silvani, contava. Dos escravos, aos sem-terra, uma vida dura, de muito trabalho, muita pobreza, onde os direitos humanos nem sequer eram conhecidos. Silvano terminou a sua apresentação em lágrimas, explicando que para além da emoção de reviver a história dramática desta comunidade, estava emocionada por haver um grupo de pessoas que se interessou pelo Assentamento para conhecer a história dos "esquecidos" escravos e dos sem-terra, para conhecer as casas simples, as ruas de terra e lamacentas, pois "normalmente as pessoas vêm cá para conhecer a história do poderoso dono das terras, a história da família e do casarão, dos negócios e da política e esquecem-se do essencial - os escravos e os sem-terra que muito sofreram nas mãos dos senhores". (Silvani)
 
 
 
Apesar da abolição à escravatura ter acontecido no ano de 1888, muitas destas fazendas do interior, onde a fiscalização era escassa, os poderosos senhores, os famosos coronéis conseguiram ludibriar a lei e prolongar a escravatura até ao inicio do séc. XX.
 
Instalou-se um silêncio ensurdecedor. Ganhamos coragem para mais uns desenhos, seguindo-se a capela de São Judas Tadeu. Uma pequena e modesta capela. Iniciei o desenho quase no final da cerimónia. Ainda ia nos primeiros traços e as pessoas que saem da missa veem falar comigo, para saber que encantos nós tínhamos encontrado naquele lugar. Digamos que saiu um desenho cego (muita conversa). Do lado direito, tentei registar uma das casas do assentamento. Fui atraído por uma dupla bem simpática que se divertia a desmontar/montar uma mota. Fizemos uma aposta entre os 3 - quantas peças vão sobrar no final?
No final do desenho surge a D. Noémia, que vive na casa e é mãe de um dos "mecânicos". Tem 70 anos e vive no assentamento há 50 anos. É viúva e com ela vive o seu filho Marco (agricultor de semana e "mecânico" de vez em quando).
 
 
Depois de registar mais umas casas, eis que reencontro a D. Noémia e o seu filho. "Moço, a vida aqui é muito dura, temos pouca coisa, mas não queremos sair daqui não. Somos muito felizes."
Falei com outras pessoas e todas elas disseram o mesmo.
 
 
 
 
  
 

terça-feira, 5 de junho de 2018

Caderno de Viagem Brasil 2018 - Dia II

19.05.2018

1º dia do Encontro Internacional de Desenho de Rua integrado no Arte ao Centro Portugal - Brasil.

O António Bártolo foi o primeiro formador e o local e escolhido foi o Parque do Pinheirinho, na periferia da cidade de Araraquara. 

A partida de autocarro estava marcada para as 8h, pois aqui o sol nasce cedo e a vida da cidade também. O local de encontro foi o Palacete das Rosas, mesmo junto ao nosso hotel.
Enquanto esperava, saiu o primeiro desenho. Gosto particularmente destes desenhos inacabados - hora de partir.



Chegámos ao Parque, mas a receção não foi a melhor - começou a chover. No entanto, não desarmámos. Procuramos um abrigo e o António lá começou a espalhar magia, passando os seus ensinamentos. Nem o mini-ciclone que se formou mesmo junto ao parque demoveu os participantes.
Aproveitei para registar o momento - a concentração dos participantes e a performance do mestre.


Num segundo momento procurámos outro abrigo - uma pequena capela.


Perto da hora do almoço partimos para a Fazenda do Salto Grande. Para mim e para o António foi um regresso, pois já lá tínhamos estado em 2016. No entanto, a beleza da Fazenda e a comida que lá se serve, justificam muitas visitas. Aproveitei para registar uma das cozinheiras enquanto fazia uma das melhores muquecas do Brasil.


Da parte da tarde, o único compromisso que tínhamos era "desenhar o que quiséssemos". Lá fomos nós com essa "dura missão". Eu queria um enquadramento onde pudesse representar várias realidades sociais da fazenda - da esquerda para a direita temos o telheiro das alfaias agrícolas, a sanzala, a tulha do café e o terreiro, território dos escravos. Ao centro temos o casarão do senhor do café, que a partir da varanda da sua casa controlava tudo o que se passava na fazenda. 


Ao final do dia, antes da inauguração da exposição "Torres Vedras em Araraquara", eu, o António, o Pedro e o Simon fomos à procura de uma lanchonete para comer, porque isto de desenhar também cansa (e abre o apetite). O Simon é mesmo esse que estão a pensar, Simon Taylor de Curitiba, ou de Torres Vedras, pois ele já não sabe bem... O Simon fez 12h de ônibus só para se juntar a nós e ainda bem que o fez (obrigado Simon).
Aproveitei sempre estes momentos mais descontraídos para treinar o desenho de pessoas, mas sobretudo para registar o momento.






segunda-feira, 4 de junho de 2018

Encosta de S. Vicente - Obras


01.06.2018
Passada 6ª feira, no final de um dia de trabalho, enquanto o sol se põe para lá da Encosta, aproveito para registar esta vista marcada pelas gruas da obras do antigo Matadouro Municipal, futuro Centro de Artes e Criatividade.  Do lado esquerdo vemos ainda o miradouro meia-laranja e o bairro Cruz das Almas (abaixo)



sábado, 2 de junho de 2018

Arruda dos Vinhos - Mercado Oitocentista

Passagem rápida pelo Mercado Oitocentista de Arruda dos Vinhos





Parabéns ao Bruno Vieira e Augusto Pinheiro, pela organização do encontro

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Caderno de Viagem Brasil 2018 - Dia I

17.05.2018

Depois de uma viagem de 9h de avião, chegámos ao aeroporto Viracopos em Campinas, interior do estado de São Paulo. À nossa espera estava o Lauro Monteiro, um dos principais responsáveis por este intercâmbio cultural. Seguiram-se 2h30 até Araraquara, onde ficamos instalados num velho conhecido - o Novo Hotel Municipal.
No final do dia, só mesmo o merecido descanso.

18.05.2018

De manhã a comitiva foi recebida pelo Prefeito Edinho, mas antes aproveitei para me levantar cedo e fazer uma caminhada pela cidade, tendo saído os primeiros registos.

Aqui aproveitei para captar uma das pérolas perdidas na cidade. Uma pequena casa discreta, "escondida" por duas árvores. Apesar do elevado estado de conservação tem um enorme potencial para ser reabilitada. Tendo em conta a envolvente composta por edifícios de "gosto duvidoso" temo que sucumba aos interesses dos promotores imobiliários. Este desenho materializa o que aqui vim fazer - colocar alunos e desenhadores desta cidade à descoberta do património da cidade, demonstrando que ainda existe um conjunto e edifícios antigos que merecem ser salvaguardados.


Enquanto esperava pela restante comitiva, aproveitei para desenhar o edifício da Prefeitura e Araraquara que significa "morada do sol". O tom alaranjado do céu é uma constante a qualquer hora do dia, criando um ambiente bastante cinematográfico e desafiante para quem gosta de desenhar e pintar.

Da parte da tarde, tive oportunidade de participar no Seminário sobre políticas municipais no domínio da Economia Social e Criativa, na UNESP, uma das universidades mais importantes do Brasil, onde lecionou Jorge de Sena.


Desenhos rápidos, feitos durante a visita guiada.


Aproveitei a viagem para tentar ultrapassar alguns obstáculos, como desenhar pessoas.



Publicação em destaque

Nota Biográfica

André Duarte Baptista, arquiteto, nasce em 1980 na cidade de Torres Vedras, onde reside e trabalha. Em 2013, obtém o grau mestre em arqui...