segunda-feira, 24 de julho de 2017

Encosta de S. Vicente - Registo visual da realidade física e social

Tenho aguardado para escrever algumas palavras sobre o que se passou em Torres Vedras, entre os dias 17 e 22 de julho. Preciso de mais uns dias para recuperar e escrever algo à altura do que ali se passou. Mas a gratidão sobrepõe-se e aqui ficam algumas palavras e imagens.
 
Quando convidei a Suzana e o António, tinha plena consciência da qualidade do trabalho deles, logo as expectativas já estavam elevadas. Mas o resultado superou todas as expectativas. No dia 17 iniciaram a emersão na ENcosta e ainda no dia 17 passaram a fazer parte daquela comunidade. Isso não se consegue só com a qualidade do traço ou da mancha, consegue-se sim com caracter, simplicidade e um coração do tamanho do mundo. Fiz questão de deixa-los percorrer o caminho sozinhos, livres de preconceitos, pois tinha certeza que iriam ser bem recebidos.
O Desafio deste convite consistia no registo físico e social da Encosta de S. Vicente, cujo processo de regeneração urbana inicia no próximo mês de setembro. Mas eles conseguiram mais, muito mais, conseguiram aumentar a autoestima de uma comunidade que se sente excluída, tendo em conta o seu caracter periférico.
Se uma imagem vale mais do que mil palavras, uma pessoa vale mais do que mil casas.
Provavelmente outras residências virão, mas esta terá sempre um lugar de destaque e isso deve-se sobretudo à Suzana e ao António. 
 
 
 
Entre os dias 17 e 22 de julho, passaram por Torres Vedras 56 desenhadores, vindos de vários pontos do país, que de forma generosa enriqueceram ainda mais o trabalho iniciado pela Suzana e pelo António.
 
O momento alto foi o dia 22 de julho, o último dia, onde se concentraram 45 desenhadores de várias idades.
 
O local de encontro foi o antigo matadouro municipal, cuja reabilitação permitirá a instalação do Centro de Artes e Criatividade. A parte da manhã foi dedicada ao Matadouro, Bairro Reis e Bairro da Floresta.
 
 
 
O Grupo da manhã: foto de Inês Mourão
 
 
 
 
O almoço foi no Choupal. A parte da tarde foi dedicada ao Choupal e Ermida Nossa Sra. do Ameal. Os mais "corajosos" (estava imenso calor) e  subiram a Encosta até ao bairro do Forte. O António foi mesmo até ao topo mais alto para levar o pessoal a desenhar "telhados deformados". A Suzana ficou-se pela Loja do Sr. Cuxixo e da Sra. Prazeres. Cá fora sentada, estava a moradora mais velha do Bairro, 96 anos - a Suzana desenhou-a. Enquanto isso várias pessoas aproximam-se, observando o trabalho da Suzana. Momentos de alegria.
 
 
 
 
 
Às 17h ocorreu a tertúlia - partilha de experiências com Suzana Nobre e António Procópio. O local escolhido foi a secular Ermida Nossa Sra. do Ameal.
 
 
 
 A tertúlia contou com a presença de elementos da comunidade que assistiram à apresentação dos desenhos, dos seus rostos, das suas ruas, das suas casas, do Lugar onde vivem - Encosta de S. Vicente.
 
 Grupo da tarde
 
Assim terminou uma iniciativa, pelo menos a 1ª fase. Para o ano está previsto um novo encontro, já com as obras a decorrer, mas até lá terão novidades desta iniciativa. O que aqui se fez terá certamente outros resultados, nem que seja como forma de agradecer à população, aos desenhadores e claro, à Suzana e ao António, a quem ficarei eternamente grato.
 
Em meu nome, do Município de Torres Vedras e da Cooperativa de Comunicação e Cultura, muito obrigado a todos.
 
Uma palavra de apreço aos parceiros institucionais que muito contribuíram para o sucesso do evento através dos canais de comunicação: Oeste Sketchers; DGPC; Ordem dos Arquitectos; Associação Portuguesa de Reabilitação Urbana e Protecção do Património. Não menos importante foi o contributo da Winsor & Newton, pelo patrocínio com material (papel e marcadores)
 
 
Toda a informação:

quarta-feira, 19 de julho de 2017

12º Enc. Oeste Sketchers - Batalha do Vimeiro


Sketchers - Batalha do Vimeiro
No passado domingo, lá fomos nós para a Guerra - correr com os franceses
 
O local de encontro foi a igreja. aos poucos lá foram chegando os sketchers todos. Alguns vinham vestidos à época, como a Ana Ramos, que apanhei aqui já no final do desenho.
 
 
Lá em baixo o frenesim aumenta. A guerra está para começar, com direito a "relato". E que guerra. Os canhões disparados ecoaram pelas ruas do Vimeiro, assustando todos os presentes. Crianças começam a chorar e Gritos de guerra que nos fazem imaginar o caos que terá sido. O medo que as pessoas tiveram. Os danos materiais e imateriais. O sangue derramado. As vidas perdidas. Ingleses e portugueses correm com os franceses. Quem me conhece, sabe que não sou muito dado a recriações históricas, mas tenho de confessar que esta surpreendeu-me pela positiva.
 
 
Fazendo-nos lembrar a Guerra de Raul Solnado, depois da batalha, fomos todos almoçar, ingleses, portugueses e até franceses. Intervalo é intervalo e toda a gente tem direito a comer. O desenho que se segue, foi feito enquanto esperávamos pelo almoço, assistindo ao convívio dos figurantes, que correm o país integrando recriações históricas. Fazem-me lembrar uns maluquinhos que por aí andam com caderno debaixo do braço.
 
Depois do Almoço, deslocámo-nos até ao centro interpretativo, onde havia feira, com comida, música e muitas actividades. Depois do Pedro Loureiro comprar um caderno XXL, que mal cabe na mochila, lá fomos à procura de poiso numa esplanada com vista para o campo de batalha, que quase não era desenhado, já que nos dedicámos aos figurantes. Até eu arrisquei desenhar pessoas. Sim desenhei pessoas, pelo menos tentei. A personagem abaixo é o Salvador, um verdadeiro artista local, que desenhou e pintou todos os azulejos do Centro Interpretativo. Enquanto ia mostrando as suas obras no telemóvel, arrisquei.

 

 
No fim, antes de ir embora, o campo de batalha.
 
 
Parabéns Pedro, Ana e Bruno, pela excelente organização. Até breve

sábado, 15 de julho de 2017

Algarve à Sombra_parte III (última)

Ainda no dia 8, no encontro com os urban sketchers Algarve, tive tempo de fazer mais dois desenhos.
Foram feitos nas escadinhas que dão acesso à igreja. Lá em cima ouvem-se cânticos no interior da igreja e alguma azáfama no exterior. É dia de casamento. De repente os sinos tocam e as pessoas saem. Aplausos e alguns gritos de alegria. Já está. Só se ouve inglês. Passa um local (raro, mas acontece) que diz "mais uns ingleses que se casam cá, agora é quase todos os fins-de-semana". Enquanto fazia o primeiro desenho, começo a ouvir o barulho dos saltos altos a bater na calçada. Lá veem os noivos e convidados a descer a escadaria. Mantive-me sentado e eles lá foram contornando.
 
 
Depois de quase ser atropelado, mudo de posição de desenho a igreja, antes de me despedir de Ferragudo.
 
 
O desenho que se segue foi feito no domingo, dia 9, antes de regressarmos a casa. A esplanada do costume, junto à igreja de Armação. Mudei o enquadramento, só para não me repetir. Para o ano há mais. 

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Algarve à Sombra_parte II

Caderno novo. Sempre um drama a selecção de um novo caderno, sobretudo quando passamos de Ferrari (laloran) para um Fiat (Tiger). A mudança de cadernos é sempre um desafio interessante, obriga-me a ajustar a forma de desenhar. Confesso que estou a gostar deste formato.
 
O desenho que se segue foi feito à porta da igreja. 12h30 - hora da partilha. Enquanto conversávamos fui desenhando este enquadramento.
 
 
Partilha feita, hora de comer. Descemos as escadinhas rumo ao cais. Depois de algumas indecisões, decidimo-nos pelo Restaurante (outrora Tasca) Borda do Cais. Sardinha assada para todos.
No interior tinha este enquadramento.
 
 
Depois do almoço, o objetivo era desenhar as ruas estreitas de Ferragudo. Encontrei um recanto com banco de jardim. Muitas casas devolutas. Por outro lado enquanto desenhava, passavam vários turistas, a maioria ingleses e franceses, com cadernos na mão a apontar contactos de imobiliárias. Alguns deles ligaram dali mesmo, percebendo-se o forte interesse em investirem. Independentemente das opiniões ou receios que isso nos traga, alguma coisa tem de ser feita. O estado de abandono e degradação em que as ruas se encontram, é que não pode continuar.
 
 
Mais um conjunto de casas devolutas. Para além do ruído do talher, das televisões e das crianças mais "agitadas", uma presença constante são as gaivotas
 
 
 
Amanhã há mais....
 

Está a chegar

http://www.ulusofona.pt/agenda/curso-verao-dau#img1




PROGRAMA

Primeira semana

1.a Sessão 2of_17 jul 2017 _ 10h 13h_ (3 horas) ou 18h 21h Filipa Antunes
2.a Sessão 3af_18 jul 2017 _ 10h 13h_ (3horas) ou 18h 21h Eduardo Salavisa
3.a Sessão 4af_19 jul 2017 _ 10h 13h_ (3horas) ou 18h 21h Convidado Urban Sketchers
Portugal
4.a Sessão 5af_20 jul 2017 _ 10h 13h_ (3horas) ou 18h 21h Mário Linhares
5.a Sessão 6af_21 jul 2017 _ 10h 13h_ (3horas) ou 18h 21h André Batista



Segunda Semana
6.a Sessão 2of_24 jul 2017 _ 10h 13h_ (3 horas) ou 18h 21h Luís Ançã
7.a Sessão 3af_25 jul 2017 _ 10h 13h_ (3horas) ou 18h 21h Mónica Cid
8.a Sessão 4af_26 jul 2017 _ 10h 13h_ (3horas) ou 18h 21h Convidado Urban Sketchers Portugal
9.a Sessão 5af_27 jul 2017 _ 10h 13h_ (3horas) ou 18h 21h Pedro Alves
10.a Sessão 6af_28 jul 2017 _ 10h 13h_ (3horas) ou 18h 21h Exposição Final de Curso

Link para inscrição: https://secure.grupolusofona.pt/rol/f?p=126:1:::::P1_GRAU,P1_INSTITUICAO,P1_CURSO:9,103,492


Propina única: 175 Euros

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Algarve à Sombra_parte I

Na passada 6ª feira, lá fui eu buscar o Tomás que foi passar uma semana de férias com a avó em Armação. Como a praia já não é uma opção, lá vou eu correndo as esplanadas. Vou variando para não sacrificar sempre os mesmos. Há quem escolha as esplanadas pelo sinal de wi-fi, eu já estou na fase que só quero saber se tem um bom enquadramento (e no algarve é cada vez mais difícil, tais são os atentados urbanísticos). Todos os anos me sento nesta esplanada no largo frontal à igreja. Para além das vistas desafogadas, corre sempre uma brisa fresca. Faço sempre o mesmo desenho (é engraçado ver as diferenças de ano para ano). Felizmente a Vila Maria Albertina vai resistindo à pressão imobiliária. Este ano até está de cara lavada.
 
O segundo desenho foi feito no sábado, em Ferragudo num encontro com os urban sketchers Algarve. Agradeço ao Hélio Boto que organizou um encontro em tempo record, só para me receber entre amigos. E valeu tanto a pena.
 
Ferragudo, perguntava eu?? sim, ruas estreitas, sombra, fresco e um ambiente pitoresco. Bela escolha.
Local de encontro - a Igreja, pois "é fácil dar com ela, aqui ainda não há torres".
 
O primeiro desenho foi feito debaixo de uma árvore, à conversa com o Tom, descendente de ingleses e alemães. Um humor muito interessante.
 
Passado alguns minutos, aproxima-se um curioso. "posso ver os vossos desenhos?". Claro. "Hum...desenho de arquitecto", dizia ele a medo, como que se estivesse com pena de mim. E eu, claro. "Eu vi logo, pois também sou. Sérgio, prazer". Seguiu-se uma longa e interessante conversa sobre desenho e reabilitação urbana. Pela conversa não desenha há algum tempo, mas algo me diz que isso vai mudar. 
 
 
 
O desenho que se segue foi sugestão do Sérgio. "Ali, a seguir ao portão, vale a pena, uma vista sob a praia e o castelo". O castelo é o que é (não é), mas a restante vista vale mesmo a pena.
 
 
Os restantes desenhos serão publicados em breve.

domingo, 9 de julho de 2017

Convite - Desenho de Rua - Reabilitação Urbana

 
 
 
Olá a todos. Dia 22 de julho, temos um novo encontro de desenho em Torres Vedras. Estão todos convidados. Os primeiros 30 inscritos têm direito a ofertas especiais, que incluem um caderno. Contamos convosco!
 
Inscrições: Gratuitas, mas sujeita a pré-inscrição para geral@ccctv.org
 
Para além do encontro estão previstas residências artísticas, com a participação de dois desenhadores (urban sketchers), que durante uma semana terão oportunidade de desenhar nos seus cadernos a realidade física e social da Encosta de S. Vicente. Para o efeito, foram convidados o António Procópio e a Suzana Nobre.

Organização: Cooperativa de Comunicação e Cultura e Município de Torres Vedras


Programa:
17 jul – 21 jul – Residências Artísticas

22 jul – Desenho de Rua
10h – Encontro junto ao Antigo Matadouro Municipal
13h – Almoço livre – sugestão – Piquenique no Choupal
17h – Tertúlia com António Procópio e Suzana Nobre

sábado, 1 de julho de 2017

Centro de Interpretação das Linhas de Torres Vedras

Inaugurou hoje, mais um espaço cultural. A secular Capela de S. Vicente acolhe agora o Centro de Interpretação das Linhas de Torres Vedras
 
 

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Piquenique no ISA_parte II

Antes do almoço e ainda na companhia da Isabel Braga, o desenho possível do Pavilhão de Exposições, um edifício de ferro e vidro desenhado pelo arq. Pedro D'Ávila e inaugurado em 1884 pelo Rei D. Luís I. Era dia de casamento, por isso a azáfama era muita. A chuva ameaçava, mas o sol acabou por vencer.
 
Este desenho ( e os dois últimos) foi feito com a mão esquerda, creio que já estava com ciúmes. A direita agradeceu o descanso.
 
 
Cheguei tarde ao almoço, mas ainda tive oportunidade de me juntar à Rosário, à Helena e à Isa.
Depois do almoço desenhei de forma rápida alguns pormenores e enquadramentos que me marcaram durante a visita. Confesso que os dois desenhos que me deram mais prazer foram os últimos 2. Não porque foram feitos com a mão esquerda, mas sim pela técnica e pelo tema - arquitectura vernacular, simples, esquecida e adormecida à espera de uma nova vida.
 
 
Com muita pena minha não pude ficar para a tarde. O calor era muito e o cansaço ainda maior. Não pude juntar-me ao grupo no "ataque" ao dragoeiro. Fica para a próxima. Não vai demorar, pois fiquei fã do espaço. Mais uma vez, um obrigado especial à Isa e à Catarina.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Piquenique no Isa_ Parte I

 
Vamos lá conhecer o ISA (Instituto Superior de Agronomia) e a Isa. Não conhecia, nem um, nem outra. Fiquei rendido aos dois.
Parti de Torres com Bruno. Chegamos cedo. Só lá estava a Isa, que logo nos sorriu. Os bancos denunciaram-nos.
O desenho que se segue foi feito enquanto esperávamos. Um desenho solto, descomprometido, feito a vários ritmos, entre beijos e abraços, apresentações e reencontros. Não consegui conclui-lo logo, começa a visita. No regresso a casa retomei a "conversa".
 

Para além da Isa, tivemos outra anfitriã, a Catarina com a habitual simpatia e paixão pelo ISA.
O desenho da ponte foi feito na primeira explicação da Catarina e antes de descermos pela "rampa da asneira". Precisamente a esta hora (do desenho) o Tomás estava a subir o Cristo Rei numa visita de estudo. Só por isso não foi ao encontro de desenho e ao Piquenique que teria adorado...
 
O segundo desenho é do observatório que se encontra num estado de conservação, no mínimo preocupante.

 
A visita continua e eis que encontramos este conjunto edificado junto ao famoso Pavilhão de Exposições. Mas a maior qualidade deste edifício é a sua localização - junto às tão procuradas instalações sanitárias...
 
 
A rapaziada continuou a andar, mas o cansaço e calor aconselharam-me a continuar o desenho à sombra de uma bela árvore na companhia da Isabel Braga.
Amanhã publico os restantes desenhos, mas posso adiantar que a esta altura já estava rendido a este paraíso no meio da cidade. Silêncio, árvores, pássaros, arquitectura singular e vista desafogada sob o Tejo. Lisboa é uma caixinha de surpresas... Obrigado à Isa e à Catarina

domingo, 25 de junho de 2017

Porto_ dia IV

dia 18 de junho
 
último dia no Porto
 
Álvaro Siza Vieira comemora hoje 84 anos (dia 25 de junho), mas decidi homenageá-lo há uma semana, no meu último dia no Porto.
 
Saímos cedo, desta vez de automóvel, rumo a Leça da Palmeira, mas pelo caminho um pequeno desvio - uma visita ao Bairro da Bouça. Este bairro social foi construído no âmbito do SAAL, em 1976. Domingo, 10h a maioria das pessoas encontra-se a dormir. Cá fora no grande relvado (qual condomínio de luxo), crianças jogam à bola riem-se para mim a desenhar. Devem ter pensado "mais um..."
 
40 anos despois a obra revela, em cada recanto, a sua contemporaneidade..
 
 
 
Agora sim, rumo a Leça da Palmeira, onde encontrámos a obra-prima de Siza - a Casa de Chá da Boa Nova, inaugurada em 1963. O projecto começou a ser desenhado em 1957, sim há precisamente 60 anos, quando Siza ainda era aluno e colaborador de outro grande mestre, o arq. Fernando Távora.
 
O edifício encontra-se implantado mesmo em cima das rochas, junto ao mar. A chegada é feita por percursos cuidadosamente desenhados pelo mestre, "obrigando-nos" a explorar e a desfrutar das vistas sob o edifício e sob a paisagem. A arquitectura em plena harmonia com o lugar.  Muito havia por escrever e por desenhar, mas a admiração que tenho pela obra não me deixa ser isento. Deixo-vos alguns desenhos.
 
Parece que o Restaurante é explorado pelo Cheff Rui Paula, mas estava fechado, sim aos domingos encontra-se encerrado. Dá para acreditar?
 
A 2ª paragem em Matosinhos, foi no local onde se encontram as piscinas das marés, outra obra de Siza Vieira, também ela construída nos anos 60. Mais uma obra incrível, muito difícil de descrever e ainda mais difícil de desenhar - o sol também não ajudou. Assim fica uma desculpa para voltar... Até porque Matosinhos é um museu a céu aberto, repleto de obras do mestre.
 
 
 
Antes de regressamos (não foi fácil arrastar-me dali), ainda houve tempo para uma visita à Capela da Boa-Nova, ali mesmo ao lado do Salão de Chá, assente nas rochas.
 
 
 
Rumo a casa, mas antes uma despedida do Porto, como que a agradecer os excelentes 4 dias que ali passámos. Paragem - Jardins do Palácio de Cristal. Cá fora uma espécie de feira do petisco - tascas ambulantes, carrinhas personalizadas de venda de sandwich, as mais criativas que já vi. O palácio encontra-se em processo de ruína. Os jardins ainda têm vida, algo alternativa, vida. O miradouro oferece-nos uma panorâmica incrível sob a cidade, e claro o Douro. A harmonia só é quebrada pelas gruas que florescem como cogumelos na cidade do Porto, mas é bom sina. é sinal que a cidade está a regenerar-se a preparar-se para um novo futuro - pelo que vi, só pode ser bom. Até breve Porto

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Porto_ dia III

Dia 17 de junho
 
A manhã foi de encontro os Porto Sketchers (desenhos publicados no dia 19). Após o almoço za zona de Guindais, descemos a ribeira e voltámos a subir a rua Nova da Alfândega. Decidimos retomar o tour de autocarro. O desenho que se segue foi feito enquanto esperávamos - vista para o Monumento Igreja S. Francisco
 
 
Seguimos rumo à Casa da Música. Faço, uma vez mais, um esforço para entender este tipo de soluções arquitectónicas. Ainda não foi desta. Mas mais importante que os edifícios são os programas funcionais e os conteúdos ali trabalhados. Aí o valor é inquestionável. Agrada-me sobretudo a apropriação do espaço exterior.
 
 
Voltámos ao autocarro, agora rumo a Serralves. Passamos da arquitectura "objectual", para uma arquitectura de contexto, em plena harmonia com o lugar onde se encontra implantada. Os desenhos não correram bem, talvez tenha sido o peso da responsabilidade de "desenhar" o mestre Siza Vieira... É um edifício de uma beleza incrível. E o jardim...

 
 
 

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Porto_ dia II

Saímos cedo do Hotel, descemos a rua de Fernandes Tomás e passámos pelo Mercado do Bolhão. Entrámos e percorremos as bancas. Metade do mercado está preenchido por andaimes, anunciando obras. Os manjericos estavam em maioria. Os pregões já não são o que eram. Tudo muito calmo, talvez calmo demais...
Saímos e seguimos até à Rua da Trindade. Um café na explanada do Terrace bar, com vista para a fachada lateral da Igreja da Santíssima Trindade.
 
 
Café tomado, descemos pela Rua da Trindade, até aos Aliados. Lá está a Câmara Municipal a fazer-se ao desenho. Está calor, muito calor, uma boa desculpa para parar à sombra (e desenhar). 
Descemos a Av. dos Aliados e subimos rumo à Torre dos Clérigos, onde fizemos a nossa 1ª visita ao interior, incluindo a subida à Torre. A Igreja é de uma beleza incrível. Tivemos sorte, pudemos ouvir o órgão de tubos a ser tocado. A subida à Torre é atribulada - espera e exiguidade do espaço, mas vale cada degrau que temos de subir. A vista panorâmica sobre a cidade é de uma beleza indiscritível.
 
 
Saímos cansados, mas de alma cheia. Ao lado da Torre, temos um "ser estranho" que parece ter caído de para-quedas - a praça dos Clérigos (recuso-me a classificar esta intervenção). Mas como que a pedir-nos perdão pelo atentado urbanístico, eis que nos deparamos com uma pérola - a livraria Lello. Já se paga para entrar, mas podemos converter o custo do bilhete em livros. A vantagem é que já se pode tirar fotografias. Fiquei-me pelo desenho, um cliché - a escada.
 
 
Depois de um tour pela cidade, parámos junto ao Mercado Ferreira Borges. O Jardim do Infante Dom Henrique está repleto de famílias que gozam os últimos raios de sol. Ao lado o imponente Palácio da Bolsa. Lá em baixo, através da Rua da Alfândega vislumbra-se o Douro e a azáfama dos turistas na frente ribeirinha.
 
 
Apesar do cansaço, não resistimos e descemos, rumo ao rio. Decidimos fazer o ultimo passeio de barco do dia. Enquanto esperamos cá fora, aproveito para registar a Praça da Ribeira. No barco, ainda há forças para um último desenho. Amanhã há mais....
 
 
 

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Porto Sentido_dia 1

4 dias no Porto, muito passeio e muitos desenhos.
 
A maioria dos desenhos foram feitos ao ritmo que mais gosto. rabiscos rápidos no momento. As cores foram na sua maioria, aplicadas à noite já no hotel.
 
Ficámos no hotel S. José, na esquina entre a Rua da Alegria e a Rua de Fernandes Tomás, onde se encontram as primeiras "vítimas" do meu olhar:
 
à esquerda, a Capela das Almas de Santa Catarina, cuja fachada principal fica orientada para a famosa Rua de Santa Catarina.  A construção inicial data do início do séc. XIX. As fachadas são todas revestidas a azulejo (1929), produzidos pela fábrica Viúva Lamego.
 
à direita, parte da fachada do mercado do Bolhão, a partir da rua. À tarde está praticamente encerrado, pelo menos o interior. A visita fica para o dia seguinte. O desenho é feito na Rua formosa. Atrás de mim fica a antiga mercearia do Bolhão e a Pérola do Bolhão, que ainda mantêm as montras antigas, em madeira, tal como o seu interior.
 
 
Entro novamente na Rua Santa Catarina, cheia de esplanadas, tendas (artesanato e chapéus) e claro, muitos turistas. A voz mais falada é o português, mas o português adocicado dos brasileiros.
 
Ao fundo da Rua, deparamo-nos com um dos ex-líbris da cidade - o Café Majestic, inaugurado no ano de 1921, nessa altura ainda com o nome de "Elite". Trata-se de uma obra de autor, do arq. João Queiroz, ao estilo da Arte Novo, construído em plena Belle Époque. Esta rua era a zona mais central da cidade, para onde convergia a elite portuense. Este espaço era mais do que um café, era um espaço de tertúlias de políticos e pensadores, de artistas e poetas. A fachada e o interior ainda mantém a identidade, quanto ao público, hoje a sua maioria são turistas, que ali se sentam, não tanto pelo que comem e bebem, mas sim pelas selfies e pela possibilidade de dizerem "eu sentei-me no Majestic". Ficámo-nos pela rua...
 
Descemos a R. 31 de janeiro até à Estação de São Bento. Rua (muito inclinada), que junta peões,  automóveis e ainda o elétrico. E funciona tão bem.. Ao longe, no alto, vislumbra-se a Torre dos Clérigos, que nos pisca o olho, mas tem de ficar para mais tarde. O mesmo aconteceu com a Estação de São Bento e a Igreja de Santo António dos Congregados, também ela toda revestida a azulejos.
 
Subimos a Av. Dom Afonso Henriques, sentido à Sé do Porto. Na zona frontal da Sé, um verdadeiro miradouro sob o Douro, uma vista de cortar a respiração. Não há tempo para "panorâmicas), concentro-me na Sé e a sua relação com o "torreão" (esq.) do arq. Fernando Távora. Trata-se da famosa "Casa da Câmara/Casa dos 24", integrada no plano de abertura do terreiro da Sé. Esta peça arquitetónica assume-se como um manifesto, sobre a necessidade de relação entre o moderno e o antigo, entre arquitetura e o Lugar.
 
 
Descemos pela rua de Dom Hugo, antiga Rua Escura, como o lembra o antigo chafariz com o mesmo nome. As escadas vão dar à ao Largo do Colégio, onde se encontra a Igreja de São Lourenço / "Grilos" (em obras).  Seguimos pela estreita e pitoresca Rua da Bandeira, enfeitada para o S. João. Várias casas reabilitadas para alojamento local. A boa notícia é que ainda tem muitos moradores portuenses de gema. Esta rua desemboca da Rua da Bainharia. Passada a travessa com mesmo nome, entramos na rua de S. João, mais uma rua bem inclinada. Aqui a vista é desafogada - lá em baixo a Praça da Ribeira e melhor que tudo, o Douro que nos chama.
 
A praça está cheia, uma verdadeira confusão: esplanadas, turistas, automóveis, pontos de turismo (passeios de bus e de barco), artistas de rua. A vista sob o rio compensa tudo. À nossa esquerda, a secular ponte D. Luís que neste momento está  ser beijada pelo sol, em jeito de despedida.
 
Percorremos a frente ribeirinha, até à ponte. Sentados na esplanada do Bar Ponte Stencil, o desenho era inevitável.  A ponte, os barcos turísticos e o reboliço em torno dos jovens que se atiram da ponte e se banham no rio. Um fim de tarde inesquecível, vindo à memória música do Rui Veloso:
 
" Quem vem e atravessa o rio
Junto à serra do Pilar
vê um velho casario
que se estende até ao mar

Quem te vê ao vir da ponte
és cascata são-joanina
erigida sobre um monte
no meio da neblina. (...)"
 
No regresso ao Hotel, uma nova abordagem à ponte.
Ainda houve coragem para entrar na Estação e registar o momento.
 
 
 
 

domingo, 18 de junho de 2017

Estivémos lá...


PoSk - Porto Sketchers - Bairro do Barredo


4 dias no Porto, permitiram a participação no 19º Encontro dos PoSk, grupo de skechers que comemora um ano de vida, precisamente hoje (dia 18). Por isso abro uma excepção -  Os outros desenhos vão esperar, publico agora aqueles que foram feitos com um grupo de pessoas do melhor que há.
 
 
 
 
 
 
 
Um ano depois relembro a conversa que tive com o Armando sobre os grupos de desenho, sobre as dinâmicas, sobre a importância de haver um elemento catalisador, que dinamize, que insista e persista, atraindo cada vez mais participantes. O Armando, de "pseudónimo Abnose", é uma caixinha de surpresas. Um ano depois, os resultados falam por si. Parabéns e obrigado pela recepção. Vamos voltar
 
 
Desenhos do meu filho Tomás